PCP acusa Governo de querer desfazer "correlação de forças" no parlamento

PCP acusa Governo de querer desfazer "correlação de forças" no parlamento

 

AO Online/ Lusa   Nacional   5 de Mai de 2019, 18:09

O secretário-geral do PCP acusou este domingo o PS de estar a tentar “desfazer a atual correlação de forças” no parlamento e reiterou que o partido manterá a sua posição sobre a contabilização do tempo de serviço dos professores.

“O PS está a querer desfazer-se da atual correlação de forças e da força do PCP. Já todos compreenderam que é o calculismo eleitoral e a fixação pela maioria absoluta que leva o Governo a ameaçar demitir-se”, afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista falava esta tarde na Amadora, no distrito de Lisboa, durante um almoço de militantes, que decorreu no refeitório de uma escola secundária.

Jerónimo de Sousa comentava desta forma a polémica gerada pela aprovação da recuperação integral do tempo de serviço congelado para os professores, em comissão parlamentar de educação, que levou o primeiro-ministro, António Costa, a anunciar na sexta-feira que o Governo se demitiria caso o parlamento aprovasse esta medida em plenário.

Durante a sua intervenção, o secretário-geral do PCP ressalvou que, apesar das ameaças de demissão do Governo, os comunistas serão “coerentes com a sua posição”, ao contrário de outros partidos, como o CDS-PP.

“A posição do PCP é coerente, refletida e determinada ao contrário de outros, como o CDS, que, como se vê, simulam as suas posições ditadas por critérios de calculismo. Um taticismo em que a palavra dada é retirada, procurando navegar à bolina. Da parte do PCP mantemos a nossa posição”, afirmou.

Estas críticas de Jerónimo de Sousa surgem no mesmo dia em que o CDS-PP, em comunicado, admitiu votar ao lado do PS contra o diploma dos professores se não forem aceites as condições do partido, como sustentabilidade financeira e crescimento económico.

Apesar das críticas ao Governo, Jerónimo de Sousa ressalvou que os comunistas não se arrependem de terem entrado no acordo que permitiu a atual solução governativa e impediu o PSD e o CDS-PP de governar.

“Nós sabemos, nesta fase da vida da política nacional, as dificuldades, os problemas que subsistem, a teimosia do Governo PS em diversas matérias, mas foi acertada a decisão do PCP naquela noite das eleições, em que PSD e CDS já cantavam vitória, vir dizer que a solução não é repetir mais uma dose de política de massacre”, apontou.

Nesse sentido, o líder comunista realçou o papel que o partido tem tido no processo de reposição de rendimentos e de direitos.

“Não há nestes últimos anos nenhuma medida positiva que não tenha tido a intervenção decisiva do PCP e da CDU, muitas vezes vencendo a resistência e a oposição do Governo PS”, atestou.

“A posição do PCP é coerente, refletida e determinada ao contrário de outros, como o CDS, que, como se vê, simulam as suas posições ditadas por critérios de calculismo. Um taticismo em que a palavra dada é retirada, procurando navegar à bolina. Da parte do PCP mantemos a nossa posição”, afirmou.

Estas críticas de Jerónimo de Sousa surgem no mesmo dia em que o CDS-PP, em comunicado, admitiu votar ao lado do PS contra o diploma dos professores se não forem aceites as condições do partido, como sustentabilidade financeira e crescimento económico.

Mais tarde, em declarações aos jornalistas, em Bruxelas, Assunção Cristas rejeitou que o partido tenha recuado na questão da contabilização total do tempo de serviço dos professores, afirmando que tem adotado “a mesma posição, clarinha como a água, desde o primeiro minuto”.

Por seu turno, o presidente do PSD, Rui Rio, fará esta tarde num hotel do Porto, pelas 18:30, uma declaração à imprensa, sobre este tema.


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