Em plena era da música digital, o vinil revive dias de glória na Cidade do Rock


 

Lusa/AO Online   Internacional   3 de Out de 2011, 07:33

Em plena era do iPOD, uma tenda de vinis montada na Cidade do Rock, com títulos produzidos pela única fábrica de LP remanescente da América Latina, surpreendeu a atrair um grande número de curiosos e compradores.

Última sobrevivente do continente sul-americano, a Polysom chegou a fechar as portas em 2007. Dois anos depois, o passivo da empresa foi comprado pelo proprietário da editora brasileira Deck Disc, João Augusto, que pagou as dívidas e reabriu a fábrica.

“Em 2009 nós fizemos um estudo para ver se valia a pena retomar e retomamos do zero”, contou João Augusto à Lusa, acrescentando, com um sorriso, que o resultado da pesquisa mostrou que iria perder dinheiro.

“Mesmo assim, quis fazer porque era um grande sonho. Eu vi o vinil sair de cena e queria ver se conseguia botar ele de volta na cena. Está sendo um grande desafio. Ainda não fazemos dinheiro propriamente dito, mas temos tido grandes alegrias, já são 70 títulos fabricados”, comemorou.

De acordo com o proprietário, foram vendidos aproximadamente 1.000 discos durante os sete dias de festival.

A loja oferecia um catálogo de 36 títulos, a um preço promocional de 50 reais (cerca de 20 euros). Fora do Rock in Rio os mesmos discos podem custar até 90 reais (aproximadamente 36 euros).

De entre os LP, com relançamentos de clássicos de Titãs, Rita Lee e Jorge Ben Jor, o proprietário investe também em lançar os artistas de sua própria editora, entre eles a compositora baiana de rock Pity e a cantora Fernanda Takai, que se lançou como vocalista do grupo Pato Fu e segue uma carreira solo desde 2007.

A primeira compradora a entrar na tenda no domingo, a tradutora Anna Barreto, de 47 anos, levou mais de 300 reais em vinis. À Lusa, explicou que a qualidade do formato é incomparável com o digital ou mesmo com o CD: “O vinil tem outro som, nele você não tem essa facilidade de suprimir os graves e os agudos. Fora que com o vinil você consegue ‘brincar’ mais, fazer mixagens”.

Entre os mais jovens, o sucesso também foi grande. O estudante Rafael Schineider, de 22 anos, contou que chegou a viver a era do vinil quando era ainda bem criança, por causa dos pais. Hoje, na tenda do Rock in Rio, foi procurar algum título para levar para casa.

“Eu acho muito maneiro, acho que tem uma qualidade muito melhor do que qualquer outra mídia, sem comparação”, afirmou o estudante.

Num festival que atrai jovens de até 15 e 16 anos, no entanto, não surpreende que existam alguns desavisados. Uma compradora, que levava o vinil na mão, contou à Lusa que foi abordada por um adolescente que a questionou: “Onde você conseguiu esse frisbee [brinquedo em formato de disco feito de plástico]?”.

Na opinião de João Augusto, o mercado de vinil está em franca expansão e não permanecerá apenas como “nicho”.

“Pesquisas realizadas nos Estados Unidos apontam que o mercado oficial de vinis cresceu 130 por cento entre 2008 e 2009 e mais de 40 por cento entre 2009 e 2010. Aqui no Brasil é que o mercado ainda é muito pequeno e não temos esses números”, lamentou.

A fábrica da Polysom fica em Belford Roxo, região metropolitana do Rio de Janeiro.


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