Sarkozy quer enviar "mensagem forte" ao país

Sarkozy quer enviar "mensagem forte" ao país

 

Lusa / AO online   Internacional   27 de Nov de 2007, 17:03

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, vai reunir quinta-feira 1.800 polícias e guardas para enviar uma "mensagem forte ao país" sobre segurança, depois de duas noites de violência nos subúrbios parisienses, anunciaram hoje fonte do seu gabinete.
Esta reunião, inicialmente prevista para dia 15 e depois adiada, tem lugar após os distúrbios em Villiers-le-Bel que causaram ferimentos em 82 polícias na noite passada.

Na origem dos distúrbios está a morte de dois jovens, de 15 e 16 anos, após uma colisão entre a motorizada onde seguiam e uma viatura da polícia.

Os polícias argumentam que o acidente foi motivado pela falta de cedência de prioridade pelos dois jovens num cruzamento, enquanto que o veículo policial circulava “à velocidade regulamentar”.

Testemunhas afirmaram ainda que os dois jovens não usavam capacete de protecção.

Contudo, muitos acusam a polícia de não ter prestado assistência a pessoas em perigo, estando aberto um inquérito sobre o caso desde segunda-feira.

Fontes próximas do presidente, que se deslocou à China em visita oficial, disseram que Sarkozy quer “enviar uma mensagem forte” às forças da ordem e ao país “sobre a segurança”, num reforço à sua “ambição inicial”.

Devido à onda de violência urbana, Sarkozy deve transmitir essa mensagem de maneira “um pouco diferente” do que esperava antes dos distúrbios de Villiers-le-Bel.

Uma nova lei sobre segurança interna, em preparação, visa especificamente modernizar a polícia e a guarda civil com recurso, por exemplo, a videovigilância ou a um “comissário virtual”, que receba as queixas de vítimas.

Após regressar da China, o presidente francês vai presidir quarta-feira a uma reunião sobre segurança com o primeiro-ministro, François Fillon, com a ministra do Interior, Michèle Alliot-Marie, a ministra da Justiça, Rachida Dati, e a secretária de Estado para Políticas Urbanas, Fadela Amara.

Fillon deslocou-se esta terça-feira a Villiers-le-Bel, cenário dos distúrbios das duas últimas noites.

“Desde que a justiça trabalhe (na averiguação da morte dos dois jovens) nada justifica as violências que ocorreram ontem à noite”, declarou o primeiro-ministro, que foi acompanhado à periferia norte de Paris por Alliot-Marie.

As violências “são inaceitáveis, elas são intoleráveis”, disse Fillon, acrescentando que “aqueles que disparam sobre polícias são criminosos e vão ser perseguidos como tal”.

Os incidentes das últimas noites fazem recordar as três semanas de motins, há dois anos, na periferia pobre de Paris, onde a maioria da população tem origens africanas e onde a taxa de desemprego nos jovens atinge os 50 por cento.

Há dois anos, os distúrbios tiveram origem na morte de dois jovens por electrocussão, após uma perseguição policial que os levou a procurar refúgio junto a um transformador eléctrico.

Na ocasião, centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 10.000 veículos e 30 edifícios foram incendiadas.

Nicolas Sarkozy, na altura ministro do Interior, foi duramente criticado pela linguagem “guerreira” com que se dirigiu aos manifestantes dos subúrbios parisienses e vários políticos de esquerda chegaram mesmo a pedir a sua demissão do cargo.

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