Projecto de reabilitação a “custo zero” no Porto avança no Verão


 

Lusa / AO online   Economia   3 de Dez de 2011, 12:39

As obras da primeira casa do centro histórico reabilitada a custo zero no âmbito do projeto “Arrebita Porto” devem começar no Verão, adiantou à Lusa José Paixão, mentor da iniciativa que vai ajudar proprietários carenciados.

“Esta ideia atua num lado negligenciado do problema da reabilitação dos centros históricos, que são os proprietários sem meios para recuperar as suas casas”, sublinha José Paixão.

O arquiteto formado em Londres garante ser possível uma recuperação ‘low cost’, nomeadamente se se substituir o pagamento em dinheiro pela troca de serviços.

Em 2012, a empreitada avançará apenas sob a forma de projeto piloto, numa casa da Câmara do Porto, “para comprovar a validade do projeto”, explica o arquiteto de 28 anos, formado em Londres.

Mostrar aos parceiros da recuperação que é possível reabilitar casas alheias deixando “todos” a ganhar é o objetivo desta primeira habitação, acrescenta.

De acordo com José Paixão, “reabilitar a custo zero” casas de “proprietários carenciados” é possível, criando “uma rede de parcerias” com “as faculdades de engenharia e arquitetura, empresas de materiais de construção e as forças vivas” cidade.

O projeto foi desenhado de forma a deixar para “segundo plano o uso do dinheiro na aquisição de valor”, sublinha o arquiteto, explicando que o investimento será feito com base “em trocas e contrapartidas de serviços”.

Apesar disso, “estão previstas fontes de rendimento para o projeto poder crescer e ser autossustentável”, nomeadamente através da colocação de painéis publicitários nos prédios a reabilitar e de uma “comissão de arrendamento nos edifícios reabilitados”.

Quanto o projeto-piloto terminar, os proprietários sem meios para reabilitar as suas casas no centro histórico do Porto podem candidatar-se ao “Arrebita Porto”.

A seleção dos proprietários carenciados “será feita avaliando a sua insuficiência de meios para proceder à reabilitação” e tendo em conta “a localização” dos edifícios.

“A nossa missão é combater o abandono de determinadas áreas do centro da cidade, onde a desertificação é maior e a taxa de frações devolutas é maior”, observa José Paixão.

O objetivo do jovem é que, depois, “o projeto cresça e seja replicado noutros pontos do país com o mesmo problema”.

O arquiteto fez parte da equipa de três pessoas que venceu a primeira edição do FAZ – Ideias de Origem Portuguesa.

Criada pelas fundações Gulbenkian e Talento, o galardão quis premiar com 50 mil euros portugueses residentes no estrangeiro a apresentarem ideias originais para resolver problemas crónicos nacionais.

Depois de vencer o prémio, José Paixão regressou a Portugal para se “dedicar completamente ao projeto”. Para já, trabalha-se na criação da tal rede de parcerias e tenta-se formalizar a iniciativa, algo que, diz, “está a levar mais tempo do que o previsto”.

A equipa inicial de três pessoas já cresceu para 12, das mais diversas áreas (arquitetura, engenharia, advocacia, comunicação).

A eles devem juntar-se, “na primavera”, os primeiros cinco estudantes internacionais que vão ajudar a levar o projeto para o terreno, com o “trabalho de preparação e conceção do projeto” de reabilitação do edifício piloto.


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