Pesca

ONG querem protecção alargada a tubarões

ONG querem protecção alargada a tubarões

 

Lusa/AO online   Internacional   16 de Nov de 2011, 11:05

Organizações Não-governamentais (ONG) internacionais recomendaram aos países que pescam atum, reunidos em Istambul até sábado para decidirem mecanismos de controlo de capturas e protecção de espécies, que a protecção deve ser alargada também aos tubarões.
Os tubarões são "vitimas colaterais" da pesca do atum, especialmente do atum-rabilho do atlântico (Thunnus thynnus), e cerca de 75 por cento das espécies de tubarões capturadas pela pesca ao atum são espécies ameaçadas de extinção, indica um relatório divulgado pela organização de defesa do meio marinho Oceana à margem da reunião da Comissão Internacional para a Conservação dos Tunídeos do Atlântico (CICTA) que decorre na cidade turca.

O mesmo relatório refere que menos de um por cento das espécies de tubarão capturadas no atlântico tem estatuto de espécie protegida.

"Os estados com frotas de pesca no Atlântico já não podem ignorar o facto de que as populações de tubarões estão a ser dizimadas" pela pesca do atum, afirmou Elizabeth Griffin Wilson, representante da Oceana.

A ONG apelou hoje para que os 48 países e territórios membros da CICTA decidam pela "interdição da captura de espécies especialmente em perigo, como o tubarão-anequim (Isurus oxyrinchus) e o tubarão-luzidio (Carcharhinus falciformis)" e limitação de capturas do tubarão-azul (Prionace glauca).

A CICTA tem atualmente em vigor medidas de proteção para apenas três espécies de tubarão: o tubarão-martelo (Sphyrna spp), o tubarão-raposo (Alopias vulpinus) e o tubarão-oceânico (Carcharhinus longimanus).

A ONG dos Estados Unidos Pew Environment Group, que acompanha também a reunião da CICTA, recomendou a utilização de novos materiais nas artes de pesca que evitem a captura acidental de tubarões sem prejudicar as capturas de atum, como a substituição de linhas em aço para prender os anzóis por linhas em nylon, que são facilmente cortadas pelos tubarões mas não pelos atuns.

De acordo com a organização norte-americana, que cita números da CICTA, entre 1992 e 2003 os tubarões representaram 25 por cento das capturas feitas com palangres pelágicos (linhas com quilómetros de comprimento equipadas com milhares de anzóis que são rebocadas pelos navios em alto mar).

Números avançados pela Pew Environment Group indicam que cerca de 73 milhões de tubarões são capturados anualmente, a maioria para lhes serem cortadas as barbatanas, com grande valor comercial nos mercados asiáticos.

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