Clientes do BPP exigem do Estado solução até 2 de Dezembro

Clientes do BPP exigem do Estado solução até 2 de Dezembro

 

Lusa / AO online   Economia   14 de Nov de 2009, 12:52

Os clientes do Banco Privado Português (BPP) exigiram hoje ao Estado português que encontre até 02 de Dezembro uma solução de recuperação da totalidade das suas poupanças em igualdade com os restantes credores.

Quando passa um ano desde a intervenção das autoridades no banco criado por João Rendeiro, algumas dezenas de clientes concentraram-se hoje junto à sede do BPP, de onde partem, ao início da tarde, numa marcha em direcção à Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM), Banco de Portugal e Ministério das Finanças para entregarem uma carta de protesto.

Sem especificar o conteúdo da carta, o porta-voz dos clientes, Ricardo Ribeiro, disse aos jornalistas que a missiva pretende chamar a atenção das autoridades para encontrar uma solução que "respeite eticamente todos os clientes em pé de igualdade".

"Nós não podemos ser discriminados em relação a outros credores do banco", adiantou o porta-voz dos mais de dois mil clientes que têm as suas contas congeladas há um ano.

Ricardo Ribeiro afirmou que após a intervenção do Estado no banco, foi "dado um aval de 400 milhões de euros para pagar a credores, nomeadamente a bancos estrangeiros, municípios e caixas de crédito", deixando os restantes clientes "desamparados".

Além de entregarem a carta, os clientes pretendem com a concentração junto à sede do banco e vigília chamar atenção para a situação e exigirem que as autoridades portuguesas encontrem uma solução até 02 de Dezembro.

Nessa data, a "situação vai mudar de figura, porque há muitos clientes que estão absolutamente desesperados e a viver da caridade de amigos e familiares", disse, desconhecendo ainda quais as medidas que vão tomar depois de 02 de Dezembro, caso não haja qualquer resposta por parte do Governo.

"Ainda não sabemos o que vamos fazer em concreto, mas se até lá não for encontrada uma solução, vamos promover uma reunião com os clientes associados das três associações para decidir o que fazer", acrescentou.

Segundo Ricardo Ribeiro, as cartas de protesto vão ser entregues à CMVM, Banco de Portugal e Ministério das Finanças porque são os "representantes do Estado português que não se podem demitir das suas responsabilidades".

Esta é a terceira acção do género promovida pelos clientes do BPP, que inicialmente ocuparam as instalações do banco no Porto e mais tarde manifestaram-se durante vários dias na sede de Lisboa, reclamando contra o congelamento das contas - decidido pelo Banco de Portugal - que impede que recuperem o dinheiro aplicado na instituição.

A Privado Fundos, gestora do BPP, está desde o Verão a montar um fundo especial de investimento que reunirá os activos dos clientes de retorno absoluto, solução que conta com o apoio das autoridades, mas o processo continua ainda numa etapa inicial, à espera que a CMVM - que tem consecutivamente requerido mais informações sobre os activos (e os passivos) relacionados com as carteiras de retorno absoluto - dê luz verde à constituição do "megafundo".

Na sexta-feira, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, disse que a resolução da situação do BPP está "a demorar mais" do que o desejável, mas salientou que "há trabalho que está a ser feito" e tudo depende dos accionistas.

"O 'timing' [para que seja encontrada uma solução] não é meu, é, acima de tudo, dos accionistas. Esta instituição é privada e a sua viabilização depende dos accionistas, não do Estado", afirmou Teixeira dos Santos, acrescentando: "Não podemos pensar que o Estado é o salvador de todos e de tudo".


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