Sucesso do VII Azores Training Camp justifica mais apoio a futuras edições

Decorrida a VII edição do Azores Training Camp, estágio que, entre os dias 2 e 6 de setembro, reuniu 107 atletas dos escalões Cadetes, Juvenis e Juniores em São Jorge, é tempo de se fazer o balanço. Nesse sentido, o Açoriano Oriental esteve à conversa com André Soares, treinador do Judo Clube de São Jorge (JCSJ) e um dos diretores técnicos da Associação de Judo do Arquipélago dos Açores (AJAA) responsáveis pelo evento



Que balanço faz da sétima edição do Azores Training Camp? Como interpreta o feedback não só dos clubes e atletas, mas também de figuras de referência do judo nacional, como a atual número “1” do ranking mundial, Patrícia Sampaio, e os treinadores Igor Sampaio e João Neto? Que aspetos, na sua perspetiva, poderiam ter corrido melhor? 

O balanço é claramente positivo. Foram cinco dias intensos de judo, partilha de conhecimento, interação, entrega e muita aprendizagem. Paralelamente, os participantes puderam ter contacto com a natureza única da nossa ilha, o que tornou a experiência ainda mais enriquecedora.

Pelo feedback recolhido, atletas e treinadores manifestaram grande satisfação quanto à qualidade e organização do estágio. O João Neto e a Catarina Costa [atleta olímpica, que se sagrou vice-campeã europeia em abril deste ano em Podgorica] regressaram após a experiência do ano passado, enquanto a Patrícia e o Igor visitaram São Jorge pela primeira vez e transmitiram-nos que ficaram muito agradados com a experiência. Além dos treinos, viveram momentos memoráveis em atividades como passeios de barco, observação de baleias, degustação de produtos locais, pesca e até surf.

Naturalmente, há sempre aspetos a melhorar. Se tivéssemos promovido o evento mais cedo, acreditamos que teríamos alcançado uma participação ainda maior, à semelhança de edições anteriores em que recebemos equipas do Continente e do estrangeiro [este ano, o estágio contou com dois representantes da Região Autónoma da Madeira e de Portugal Continental]. 

Considerando a resposta dos outros parceiros (Escola Básica e Secundária de Velas, a autarquia local e outros), sente que o evento tem condições para se repetir em 2026? 

Tudo indica que sim. O Judo Clube São Jorge tem toda a intenção de dar continuidade ao Azores Training Camp no próximo ano. Sentimos que já demonstrámos capacidade para organizar um evento com impacto nacional e até internacional.

No entanto, temos plena consciência de que sem os parceiros locais, como a Escola Básica e Secundária das Velas e a autarquia, este evento não seria possível. O apoio logístico e financeiro destas entidades foi determinante para o sucesso da edição deste ano. 

De que forma, na ausência de financiamento da parte da Direção Regional do Desporto (DRD), o Judo Clube de São Jorge e a Associação de Judo do Arquipélago dos Açores tencionam angariar meios para darem continuidade a este estágio de “alto nível”, único na Região?

Da parte do JCSJ, temos contado com apoios locais, que são fundamentais: a escola [Escola Básica e Secundária das Velas] tem sido incansável ao disponibilizar refeitório, espaços para alojamento e até enquadrar a presença da Patrícia Sampaio num projeto escolar, o que permitiu viabilizar a sua vinda; a Câmara Municipal [das Velas] tem contribuído financeiramente, mas também com transporte e colchões. Sem estes apoios, seria praticamente impossível organizar um evento desta dimensão.

Já ao nível da AJAA, temos procurado soluções para colmatar o corte abrupto do Projeto Centros de Treino [suspensão do apoio ao projeto na ordem dos 60.000 euros, anunciada em abril]. Este projeto foi o motor de uma dinâmica inédita no judo açoriano, com clubes a trabalhar em conjunto e a alcançar resultados históricos. O corte foi como desligar esse motor.

Nesse sentido, já solicitámos uma audiência ao Presidente do Governo Regional, onde fomos ouvidos e sentimos alguma abertura, mas sem garantias. Paralelamente, estabelecemos uma parceria com uma agência de viagens para reduzir os custos de deslocação e estamos ativamente à procura de novos patrocínios. Aproveitamos até para lançar um apelo a empresas que se identifiquem com esta causa: o apoio ao judo açoriano é também um investimento social e desportivo na juventude da Região.

A DRD transmitiu-nos que poderá haver verba para projetos especiais no próximo ano, e mantemos a esperança de que o projeto seja reativado.

Por fim, gostaria de deixar algum apelo ou mensagem às entidades públicas com competência nesta matéria para que repensem a retoma do apoio?

Sem dúvida. O Projeto Centros de Treino tem sido aperfeiçoado todos os anos e já demonstrou ser uma fórmula inovadora, com resultados concretos em muito pouco tempo. Graças a ele, conseguimos dinamizar concentrações regionais, nacionais e internacionais, revelando jovens talentos e projetando o judo açoriano para o topo nacional. 

Estamos a falar de um projeto que mobiliza mais de 700 pessoas por ano e que, em apenas três anos, já trouxe para os Açores dezenas de campeões nacionais, tendo inclusive permitido que uma atleta alcançasse mínimos para o Campeonato da Europa, onde obteve marca para alto rendimento. Tudo isto com um orçamento que, provavelmente, é inferior ao custo de uma única deslocação do Santa Clara na I Liga de futebol.

O nosso apelo é claro: que o Governo Regional e as entidades competentes sejam sensíveis ao impacto real que este projeto tem para a Região, não apenas em termos desportivos, mas também sociais e económicos. Cortar apoios a quem tem provas dadas, resultados sucessivos e estruturados, é travar o desenvolvimento de uma modalidade olímpica que está a formar jovens, campeões e cidadãos.





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