Açoriano Oriental
Expedição científica torna Rabo de Peixe o epicentro dos cachalotes

Projeto de investigação coordenado por Stéphanie Suciu, decorreu na vila piscatória entre os passados meses de maio e setembro, permitindo um estudo mais aprofundado sobre cachalotes


Autor: Paulo Faustino

A Vila de Rabo de Peixe foi o local de partida para um projeto de investigação sobre cetáceos na costa norte da ilha de São Miguel entre os meses de maio e setembro deste ano, envolvendo vários investigadores estrangeiros e que permitiu a realização de um estudo mais aprofundado sobre cachalotes naquele que é considerado um ‘santuário’ para esses animais.

O projeto foi coordenado pela investigadora Stéphanie Suciu, ligada ao projeto Moniceph e que trabalha em colaboração com a Universidade dos Açores, contando neste trabalho de investigação com o apoio da Azores Boat Adventures, empresa marítimo-turística sediada em Rabo de Peixe, e do investigador irlandês Seán O’Callaghan’s, ligado por seu turno ao projeto Sperm Whale Scale.

Os outros investigadores vieram de Espanha, França, Bélgica, Noruega e Irlanda, proporcionando um quadro de diversidade que só fez aumentar as oportunidades de intercâmbio e de enriquecimento do conhecimento, a todos os níveis, entre os intervenientes (locais e de fora) da expedição.

O projeto passou pela realização de um vasto registo fotográfico através de câmaras fotográficas montadas a bordo da embarcação da Azores Boat Adventures, e ainda com recurso a drone, daí resultando a captura de imagens e vídeos que permitiram identificar muitos indivíduos, grupos, espécies e respetivos tamanhos. De igual modo, incluiu um registo áudio através de hydrofones no sentido de melhor compreender como os cachalotes comunicam entre si, assim como a recolha de amostras de ADN através das fezes e restos de pele que os mamíferos marinhos deixavam à superfície.

No seu conjunto, o projeto concretizou um exaustivo levantamento de dados que levará a uma maior monitorização, compreensão e proteção da espécie de baleia que nada o ano inteiro nas águas açorianas e que é verdadeiramente emblemática do arquipélago.

“Esta expedição científica na costa norte da ilha de São Miguel foi um sucesso em todos os sentidos, quer pela quantidade/qualidade dos dados científicos recolhidos, quer pelo facto dos interesses comerciais das empresas não se terem sobreposto aos interesses da investigação/proteção dos animais. Verificou-se uma enorme sinergia entre vários biólogos, skippers e vigias de algumas empresas de Whale Watching”, enfatizou Tomás Anselmo, CEO e skipper da Azores Boat Adventures, em declarações ao Açoriano Oriental. Não obstante esta empresa marítimo-turística não estar licenciada para a atividade de Whale Watching, o seu responsável entende que a mesma foi “uma mais-valia” para o que aconteceu na última época alta nos mares à volta de Rabo de Peixe.

Olhando para a realidade do setor, o empresário chama a atenção para a necessidade de ser dada uma maior atenção ao processo de revisão da legislação de cetáceos, atualmente em curso: “É necessário que o turismo não se sobreponha à investigação, nem o contrário. Ambas se devem complementar e não se subtraírem uma à outra, quando o interesse final é o mesmo para todos, a proteção dos cetáceos”. E não tem dúvidas que “é fulcral haver matéria legislativa que aumente os deveres que as empresas de Whale Watching devem ter no ramo da investigação”.

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