Crise Financeira

Países da UE querem trabalhar em conjunto

Países da UE querem trabalhar em conjunto

 

Lusa/AOonline   Economia   7 de Nov de 2008, 15:19

Os dirigentes europeus reunidos em Bruxelas concordaram sobre a necessidade de continuarem a "trabalhar em conjunto" para resolver a crise financeira e prevenir uma recessão global profunda, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros português.
"É indispensável continuar a trabalhar em conjunto se queremos controlar a crise financeira internacional que ainda está longe de estar dominada e controlar os efeitos dessa crise na economia real", disse Luís Amado no final da Cimeira de Bruxelas.

    Os líderes europeus apoiaram as sugestões da presidência francesa da UE sobre as grandes prioridades dos 27 para a reforma do sistema financeiro internacional que será discutido na Cimeira do G20 de Washington a 15 de Novembro.

    "Nenhuma instituição financeira, nenhum segmento de mercado, nenhuma jurisdição deve escapar à regulamentação e supervisão", defendeu a presidência francesa da UE num documento com as "directrizes" para a reunião.

    Os 27 concordaram com um aumento da transparência e da responsabilidade dos actores financeiros, o reforço da regulamentação dos mercados, a redução das práticas de risco, a melhoria da supervisão do sistema financeiro e o reforço do papel do Fundo Monetário Internacional (FMI).

    Luís Amado, que substituiu o primeiro-ministro José Sócrates retido em Lisboa pelo debate e votação do Orçamento para 2009, disse aos restantes dirigentes europeus que "o combate não é contra os mercados mas sim com eles para restabelecer a confiança".

    Lisboa sublinhou que o esforço acrescido de supervisão e regulamentação não deverá levar a um "excesso" de regulamentação que impeça o funcionamento dos mercados.

    O chefe da diplomacia portuguesa também sublinhou a necessidade de os 27 se coordenarem para contrariar os "aspectos negativos" que a crise financeira está a ter na economia real, nomeadamente na desaceleração económica que já se está a fazer sentir.

    Luís Amado defendeu ainda que as organizações económicas e financeiras internacionais trabalhem em conjunto para se evitar que se entre em "recessão profunda à escala global".

    "Creio que a maior ameaça que podemos ter nos próximos tempos é de a situação económica internacional gerar uma recessão económica profunda de devastadoras consequências em todas as sociedades", concluiu Amado.

    Os europeus têm defendido uma reforma real dos acordos de Bretton Woods que governam desde 1944 o sistema financeiro internacional.

    A UE quer aproveitar a actual crise financeira para impor os seus pontos de vista aos Estados Unidos, o principal responsável pela actual situação financeira e económica.

    A vitória de Barack Obama, mais aberto ao reforço do aumento da regulamentação dos mercados financeiros, deverá ajudar os 27 a alcançar esses objectivos.

    Os líderes das maiores economias mundiais (G20) iniciam a 15 de Novembro, em Washington, uma série de cimeiras para definir as alterações ao actual sistema financeiro internacional.

    Fazem parte do G20 os sete países mais industrializados do mundo (Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Itália, Japão, Alemanha), as economias emergentes (Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia) e a União Europeia.

    Criado em 1999, o G20 representa 85 por cento da economia mundial e cerca de dois terços da população.

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