Perú

Camponeses afectados pela actividade de empresas mineiras


 

Lusa / AO online   Internacional   28 de Nov de 2007, 09:22

Um relatório elaborado pelo Observatório de Conflitos Mineiros no Peru revela que 55 por cento das seis mil comunidades camponesas com propriedade de terras no país se vêm afectadas pela actividade das empresas mineiras.
Este relatório, realizado por diversas organizações não-governamentais peruanas e que foi apresentado à imprensa estrangeira na capital, Lima, analisa de forma pormenorizada os diferentes conflitos sociais e ambientais causados pela extracção de minerais no país.

No contexto internacional, marcado pelo elevado preço dos metais e com o Peru como o país da América Latina que capta a maior parte dos investimentos, "o objectivo é proporcionar uma informação rigorosa que permita encontrar soluções para os conflitos", explicou o membro da Organização Não Governamental Cooperación, José de Echay.

O relatório apresenta a necessidade de se criar uma autoridade ambiental independente e autónoma, que permita "certificar de maneira imparcial" como o trabalho das minas afecta as populações.

Para além disso, acrescenta José de Echay, a avaliação ambiental deveria ser estrutural e ter "uma visão mais global", não só de projectos individuais, que permitiria conhecer, por exemplo, "se interessa ao Peru que a zona de Majaz se converta num distrito mineiro".

O caso da mineira Majaz é um dos que mais repercussões tiveram este ano quando os habitantes de três distritos da região nortenha de Piura, fronteiriça com o Equador, rejeitaram a exploração mineira numa consulta popular que foi ignorada pelo Governo central.

"Fala-se de números mas não se fala do desenvolvimento das pessoas por meio dos direitos, vê-se como um retrocesso, quando poderia ser uma saída para eventuais conflitos", opinou José de Echay.

O Peru, assim como o Brasil, a Colômbia, o Equador, o México e a Venezuela, está classificado pela ONU como um dos países com maior diversidade natural do mundo mas também como um dos que mais sofre as consequências da contaminação, da degradação causada pela demografia crescente e pelo uso cada vez maior dos recursos naturais.

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