Autor: Lusa/AO Online
Depois de, no outono do ano passado ter realizado uma visita semelhante antes de iniciar funções como presidente do Conselho Europeu, o antigo primeiro-ministro português volta a fazer uma digressão para “encontrar-se com cada líder da UE e, claro, preparando o tempo que aí vem”, disse um responsável europeu à imprensa em Bruxelas.
“O objetivo é recolher as perspetivas dos líderes sobre a situação internacional, sobre a situação na UE e, com isso, contribuir para definir ou ajustar a agenda política dos próximos meses, preparando também as reuniões do Conselho Europeu”, acrescentou a mesma fonte comunitária, precisando que os assuntos em cima da mesa serão as guerras da Ucrânia causada pela invasão russa e de Israel contra o movimento islamita Hamas na Palestina, a defesa da UE e também o alargamento.
No caso da guerra da Ucrânia, este verão, tentou-se estabelecer sem sucesso um cessar-fogo incondicional de 30 dias na Ucrânia, com pressão da UE e dos aliados - Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha.
Acrescem temas como o novo o Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034, cujo processo de negociação está agora a começar, o comércio face às tensões comerciais com os Estados Unidos e a necessitar de diversificar parceiros e ainda a aposta na competitividade comunitária.
Depois de ter começado esta 'tour' na quarta-feira em Bruxelas, com uma reunião com o primeiro-ministro belga, António Costa desloca-se na segunda-feira à Eslovénia, onde fará um discurso principal na conferência de Bled.
Depois, encontra-se no dia seguinte com o primeiro-ministro da Eslovénia e também nesse dia visita a Croácia. Na quarta-feira, vai estar em Viena, na Áustria, e no dia seguinte a Roménia e a Bulgária.
A viagem termina na próxima semana na República Checa e nos Países Baixos, na sexta-feira.
Ainda não existe data anunciada para Portugal.
O objetivo é recolher opiniões dos chefes de Governo e de Estado dos países-membros sobre a situação da UE e preparar o terreno para os próximos Conselhos Europeus e cimeiras internacionais.
Citado em comunicado, António Costa argumentou que “estas conversas ajudarão a definir a agenda comum para os próximos meses”, face aos atuais desafios.
“Como presidente do Conselho Europeu, é meu dever ouvir e compreender as prioridades de todos os líderes — especialmente nestes tempos incertos. O meu papel é construir consensos e, [por isso], em cada visita trabalharei para reforçar a nossa cooperação porque no mundo imprevisível de hoje a nossa unidade é a nossa maior força”, salientou.
A digressão abrange a maioria dos países da UE, entre 01 e 19 de setembro.
Até ao final do ano, António Costa vai presidir a dois Conselhos Europeus formais, em outubro e dezembro de 2025, bem como ao Conselho Europeu Informal, que terá lugar em Copenhaga a 01 de outubro. Um dia depois, a 02 de outubro, realiza-se a reunião da Comunidade Política Europeia, também na capital dinamarquesa pela presidência do Conselho ocupada pela Dinamarca.
Já a 08 a 09 de novembro, o presidente do Conselho Europeu vai copresidir à cimeira UE-CELAC na Colômbia e depois, a 24 e 25 de novembro, à cimeira UE-União Africana, em Angola.
Estará também em representação da UE na Semana de Alto Nível das Nações Unidas, em setembro, onde discursará na Assembleia-geral e no Conselho de Segurança da ONU.
Além disso, marcará presença na COP30, no município brasileiro de Belém, em novembro.
A 01 de dezembro de 2024, António Costa começou o mandato de dois anos e meio à frente do Conselho Europeu, sendo o primeiro socialista e português neste cargo.