Mundial 2014 no Brasil com "mão" portuguesa


 

Lusa/AOonline   Economia   1 de Nov de 2007, 15:24

Três grupos portugueses devem investir cerca de 1.400 milhões de euros na área de transporte, reforma e construção de estádios no Brasil, revelou o presidente da Associação Nacional dos Colectivos de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros.
 "Esperamos fechar o negócio ainda este mês. Estamos a pegar o modelo português, porque é o mais próximo da realidade brasileira. O Brasil não é a África nem a Alemanha, palco dos Mundiais anteriores a 2014", afirmou João Bosco Borba.

    O presidente da Anceabra não quis revelar o nome das empresas portuguesas, já que o negócio ainda não foi fechado, mas adiantou que o arquitecto português Tomás Taveira deverá participar na orientação dos projectos.

    Segundo Borba, os empresários brasileiros e portugueses estavam apenas a aguardar a confirmação pela FIFA do Brasil como sede do Mundial 2014, o que aconteceu na terça-feira, para começar a discutir os planos de negócios e investimentos.

    "Em negócios não discutimos quase. Era preciso esperar o anúncio oficial. Estamos a sair na frente agora, porque já temos pronto o produto a oferecer aos empresários portugueses, isto é, o levantamento das cidades que têm rentabilidade na construção de estágios e outros negócios", assinalou.

    Os contactos com os portugueses começaram no início deste ano.

    Em Maio, foi realizado em Lisboa um seminário sobre "Construção e Gestão de Modernos Estádios de Futebol", que incluiu visitas aos principais estádios portugueses, como os do Benfica, Sporting, Braga e FC Porto.

    Portugal esteve representado neste seminário por dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol, das principais equipas portuguesas e das empresas Somage, Martifer, Afa Consult e Luso Arenas.

    "Aprendemos neste seminário que um Mundial não são apenas estádios bonitos. Passa por melhorias na área de transportes, vias de acesso aos estádios, segurança, rede hoteleira, rede hospitalar, restaurantes, receptivos. É preciso uma grande mobilização", destacou Borba.

    Os projectos de interesse da Anceabra, que conta com a parceria da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e do Conselho Federal dos Correctores de Imóveis (Cofeci), referem-se a cinco estados brasileiros - Mato Grosso do Sul, Goiás, Salvador, Ceará e Paraná .

    "Da nossa parte, isto é prioridade. Temos todo interesse em dar sequência as conversações com os grupos portugueses. A experiência de Portugal no Euro2004 foi muito interessante. E queremos esta parceria para tentar pegar uma fatia desse bolo do Mundial que é muito grande", disse à Lusa o presidente da CBIC, Paulo Safady Simão.

    De acordo com Simão, vários grupos estrangeiros, nomeadamente da Holanda e da Alemanha, já estão a se mobilizar em busca de negócios no âmbito do Mundial 2014.

    Um estudo da FIFA, após o Mundial da Alemanha, estimou que o evento custou entre 8.000 milhões de euros e 27.800 milhões de euros, sendo 4.500 milhões de euros aplicados na área de transporte.

    No Brasil, as autoridades dizem que ainda é cedo para estimar os gastos com o Mundial 2014.

    O ministro do Desporto, Orlando Silva, afirmou apenas que vai fiscalizar os recursos públicos para evitar estourar o orçamento público.

    Nos Jogos Pan-Americanos 2007, realizados no Rio de Janeiro, o valor estimado foi multiplicado por nove.
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