Açoriano Oriental
“Ser pai fez-me questionar se ao longo da vida fui um bom filho”

António Alves. Artista micaelense regressa com o projeto musical “King John” e com um segundo LP, “Good Son”, que será lançado a 24 de novembro. O primeiro single, “Júlia (Circles of Life)”, já é conhecido e aborda a experiência “transcendente” de ser pai

“Ser pai fez-me questionar se ao longo da vida fui um bom filho”

Autor: Carolina Moreira

Depois de um interregno de três anos, vai lançar um novo disco - “Good Son”. Será uma continuação do trabalho desenvolvido até ao momento ou algo diferente?

Não há uma grande transformação a nível sonoro, embora haja um ligeiro distanciamento relativamente àquilo que já fiz no passado. Sim, há pontos de ligação às coisas que fiz no passado, mas há uma evolução técnica e a possibilidade de gravar as músicas de outra forma em estúdio, neste caso, por completo, ao invés do que tinha feito anteriormente. Obviamente que, por si só, isso também traz transformações à sonoridade, à qualidade, à forma como tenho a possibilidade de gravar certos instrumentos que antes não conseguia, portanto há uma evolução a nível técnico e da minha própria técnica.

Como descreve o seu género musical?

Não penso que seja um género muito diferente. É rock/rock alternativo, às vezes com influências de jazz e de blues. Tenho dificuldade em descrever o meu próprio género musical, porque enquanto ouvinte também não gosto de dar um cunho, nem pôr dentro de um quadradinho as músicas dos outros artistas. Por isso, às vezes tenho alguma dificuldade em fazê-lo para mim próprio. Mas sim, é um estilo mais rock, se bem que as guitarras neste disco têm menos preponderância, estão mais atrás e dão espaço aos teclados.

Como surge o nome deste novo disco “Good Son”?

O nome vem da minha evolução pessoal dos últimos três anos, em que não editei nada nem estive tão presente na música. Tornei-me pai há dois anos e essa transformação, que por si só é bastante significativa na vida das pessoas, fez-me questionar eu, António, enquanto filho. Isto é algo que, de certa forma, vamos fazendo ao longo da vida, uns mais do que outros, mas quando nos colocam nos braços uma criança e nós percebemos tudo pelo que os nossos pais passaram, essa questão tornou-se mais premente, mais significativa na minha vida. E eu interroguei-me várias vezes se terei sido um bom filho, sendo que os meus pais muitas vezes não expressavam toda a dor que sentiam perante as coisas normais que as crianças fazem.

E o “Good Son” veio daí e também do facto de me ter mudado para Lisboa há sete anos, e estar a tentar ser músico profissional, estar longe dos meus pais e da minha família e isso também me fez questionar muitas vezes se era um bom filho, daí o nome do disco.
As nove músicas que integram este novo disco refletem essa preocupação?

Há um ponto de partida que é o single “Good Son” e que dá nome ao álbum, mas nem todas as músicas falam disso. E para mim, na preparação de um álbum, a música que carrega mais significado é normalmente a que dá nome ao álbum. Obviamente que nem todas as músicas falam sobre isso, há músicas que falam sobre coisas completamente diferentes.

A 2 de outubro já foi lançado o primeiro single deste novo disco, “Júlia (Circles of Life)”. Fale-nos deste trabalho.

Essa música já fala da perspetiva de ser pai. Construi esta letra antes da minha filha ter nascido, foi quase um projetar da ideia de me tornar pai, de quem ela seria e de como eu a poderia ajudar a navegar pela vida, o que é que eu lhe poderia dar de conselhos ou de exemplo.

E qual tem sido o feedback até ao momento?

O feedback, felizmente, tem sido bastante positivo. Obviamente que, sendo a primeira música que edito já há bastante tempo, as coisas estão a acontecer de forma bastante tranquila. Os singles carregam sempre a possibilidade de existir um segundo álbum e assim o álbum tem sempre mais impacto. O feedback tem sido muito bom desde o single até ao videoclip.

E como foi o processo de gravar o videoclip?

Felizmente, tomei a decisão de voltar às origens. Já tinha trabalhado com a Cactus Sessões e o Amarino França que foi quem realizou e fez a direção de fotografia do videoclip e quem de certa forma elaborou a ideia. Penso sempre que é bom manter uma ligação às minhas origens, aos Açores, por isso é que faço discos com nove músicas, numa alusão às nove ilhas. São pessoas super talentosas e podendo dar trabalho e ajudar a usar toda a criatividade que têm perante a ausência de oportunidades, isto porque em São Miguel não temos assim tantas oportunidades, e o resultado final foi impecável.

Vamos continuar a trabalhar, até porque a história do primeiro videoclip está interligada com o segundo e queremos dar continuidade a este trabalho.

Quais são os planos para apresentar este novo disco ao público?

Para já temos pequenas apresentações programadas em rádio no continente, onde estou sediado. Também temos um concerto de apresentação no dia 2 de dezembro em Lisboa, no novo Tokyo, também iremos ao Porto e estou a tentar ir a São Miguel em janeiro do próximo ano para apresentar este novo trabalho.

Depois de “Good Son”, quais são os planos para projetos futuros?

O “Good Son” está feito, vai ser entregue ao público e já estou a pensar no próximo. Paralelamente, também estou a preparar um projeto que envolve música e produção, com a ajuda de outros artistas. Fica a sementinha.

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