Pacote de estimulantes económicos necessário para contrariar depressão mundial


 

Lusa / AO online   Economia   30 de Nov de 2008, 21:25

Um pacote de estimulantes económicos massivo, coordenado e rápido é necessário para contrariar uma depressão à escala planetária, afirmam especialistas da ONU num relatório a publicar segunda-feira em Doha, capital do Qatar.
    As medidas devem "ser coerentes e reforçarem-se mutuamente, em sintonia com os imperativos do desenvolvimento sustentável", sublinha o "Relatório sobre a situação e perspectivas económicas mundiais em 2009", que será apresentado na conferência ministerial internacional sobre financiamento do desenvolvimento, que decorre na capital do Qatar.

    "Estas iniciativas têm de ir além das medidas de recapitalização e de recuperação de dinheiro já tomadas pelos países em resposta à crise," lê-se no relatório.

    Os economistas da ONU recomendam ainda uma regulamentação mais apertada dos mercados financeiros, um aprovisionamento adequado em liquidez a nível internacional, uma revisão do sistema de reserva internacional e uma governamentalização económica global menos exclusiva e mais eficaz".

    De acordo com o documento, o crescimento mundial será, no cenário mais provável, de apenas um por cento em 2009, contra 2,5 por cento em 2008 e com as taxas a variarem entre os 3,5 e os quatro por cento nos últimos quatro anos.

    Os países desenvolvidos serão os mais afectados, com uma taxa média de crescimento negativo, de 0,5 por cento. Entre eles, os Estados Unidos da América, que deverá registar uma taxa de crescimento de menos um por cento, a zona euro de menos 0,7 e o Japão de menos 0,3.

    Os países com economias "em transição", deverão crescer 4,8 por cento e os países em desenvolvimento 4,6.

    A taxa de crescimento da China é estimada em 8,4 por cento, uma redução de três pontos relativamente a 2007 e de 0,7% em relação a 2008.

    O crescimento da Índia, Brasil e México está previsto em sete, 2,9 e 0,7 por cento.

    Os especialistas da ONU alertam que "dada a actual incerteza, um cenário mais pessimista ainda é muito possível." Caso a crise do crédito se prolongue e a confiança no sector financeiro não for restabelecida nos próximos meses, explicam os especialistas que, "os países desenvolvidos poderão entrar em uma profunda recessão em 2009".

    Este cenário impedirá o crescimento dos países de desenvolvimento de ultrapassar os 2,7 por cento, "uma taxa perigosamente baixa para a sua capacidade de suportar os esforços de redução da pobreza e garantir a estabilidade social e política".

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