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Debate foi "mais um choque" que não esclareceu os eleitores

Debate foi "mais um choque" que não esclareceu os eleitores

 

Lusa/AOonline   Internacional   16 de Out de 2008, 12:19

Os principais jornais norte-americanos classificam esta quinta-feira quase unanimemente o debate entre os candidatos presidenciais como mais um confronto entre John McCain e Barack Obama que pouco ou nada contribuiu para esclarecer os eleitores.
O editorial de hoje do New York Times começa por salientar que o debate foi a última oportunidade para McCain explicar como pretende resolver a crise financeira se for eleito, mas que o candidato republicano se limitou "a apresentar as mesmas teorias de que 'o governo está errado e os mercados estão certos' que ajudou a criar este desastre económico".

    O jornal aponta por outro lado as contradições do senador republicano que, depois de se dizer agastado com os ataques feitos a Obama por algumas pessoas da sua campanha e apoiantes, "não repudiou a acusação absurda e repetida que (Sarah Palin) tem feito a Obama de se dar com terroristas" e, "muito pelo contrário, voltou a falar da ligação antiga e sem significado de Obama a William Ayers", um radical contra a guerra do Vietname dos anos 1960.

    Para o NYT, "o principal problema de McCain é não ter nenhuma grande ideia para resolver os problemas do país".

    "Sobre como tenciona criar emprego, a grande ideia do discurso de terça-feira - surpresa, surpresa - é de que 'a maneira mais eficaz de um presidente o fazer é cortar os impostos especificamente dirigidos à criação de emprego'. Depois dos últimos oito anos, esta visão limitada do governo deve ter parecido deprimentemente familiar aos milhões de americanos que continuam à espera daquela gota de prosperidade", escreve o jornal.

    O Washington Post tem hoje como manchete "Combate duro no último round" e, no editorial, intitulado "O último debate", apresenta como subtítulo: "John, Barack e Joe o canalizador sobre o futuro do país".

    Joe o canalizador, considerado por vários jornais como "a estrela do debate", é o dono de um pequeno negócio do Ohio que recentemente participou numa acção de campanha de Barack Obama e questionou o candidato democrata sobre se pessoas como ele vão pagar mais impostos.

    "A discussão de ontem (quarta-feira) à noite, à parte uma estranha insistência em alguém chamado 'Joe, o canalizador', foi uma repetição do já familiar confronto entre os senadores John McCain e Barack Obama", lê-se no editorial do Washington Post.

    Declarando-se desiludido com McCain por ter desperdiçado a oportunidade de apresentar ideias credíveis para resolver a crise financeira, o editorialista do Washington Post também critica Barack Obama, afirmando-se "talvez ainda mais desiludido com as respostas de Obama.

    "(Obama) Admitiu a necessidade de estabelecer prioridades (…) mas depois desfiou a mesma lista de objectivos (educação, assistência médica, energia…) que parecem todas ser a sua principal prioridade", escreve.

    Para o Chicago Tribune, o debate desta madrugada foi "O último confronto" em que "John McCain se confrontou repetidamente com Barack Obama".

    "A estrela incontestável do debate foi Joe o canalizador (…), uma tentativa de McCain de se identificar com os americanos comuns e retratar Obama como alguém distante das suas preocupações", escreve o jornal.

    Numa coluna intitulada "Como McCain se prejudicou no debate", o Chicago Tribune escreve que "se estas eleições são sobre qual dos candidatos consegue mostrar melhor a sua irritabilidade, exaltação e condescendência, John McCain saiu-se muito bem no último debate (…) McCain fez com que Obama parecesse o único candidato adulto".

    No Los Angeles Times, lê-se na primeira página que "McCain foi visto como o agressor, mas não lançou nenhum golpe mortal".

    Numa coluna de opinião, Mary McNamara afirma que "Joe o canalizador de pouco serviu a John McCain" porque a única coisa que ficou clara depois da troca de comentários sobre "o americano comum", foi que "Obama é um liberal e McCain um conservador".

    A colunista também frisa a irritação que McCain demonstrou ao longo do debate: "Vimos certamente muito mais o John McCain irritado neste debate que nos dois anteriores, até a sua voz soou mais alta e menos 'reaganesca'. Mas os espectadores que ansiavam por ver o senador do Arizona 'dar uma coça' a Obama ficaram sem dúvida desiludidos".

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