Dia Mundial da Alimentação

Crise financeira afecta ajuda contra a fome

Crise financeira afecta ajuda contra a fome

 

Lusa/AOonline   Internacional   16 de Out de 2008, 17:42

Os países mais ricos estão a faltar aos compromissos de ajuda alimentar contra a fome no mundo devido à crise financeira global mas as duas situações são igualmente urgentes, afirmou o antigo secretário-geral da ONU.
Kofi Annan, que falava numa conferência internacional em Dublin sobre a Dia Mundial da Alimentação, que hoje se assinala, alertou para que, só no dia de hoje, 10.000 crianças do Terceiro Mundo vão morrer de fome, o que faz deste flagelo uma tragédia tão grande como o colapso de um banco.

    "A crise financeira exige atenção urgente e deve ser prioritária. Mas a questão da fome também. Milhões de pessoas estão condenadas a morrer (este ano). Isso é menos urgente?", disse Annan à imprensa à margem da conferência Combater a Fome em que participam cerca de 200 especialistas da Europa, África e Estados Unidos.

    "Eu concordo que os políticos, sendo o que são, estão a ser pressionados pelos seus próprios eleitores para melhorarem as condições económicas dos seus países - e vão deixar de olhar para a pobreza", acrescentou. "Nestas situações, os pobres são os primeiros a sofrer", insistiu.

    Kofi Annan questionou mesmo se os governos falavam mesmo a sério quando assumiram compromissos de ajuda alimentar na Cimeira do G8 - os sete países mais industrializados do mundo (Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Japão) e a Rússia - de 2005 na Escócia e na Cimeira Mundial da Fome de Junho passado em Roma.

    A Cimeira do G8 a que Annan se referiu terminou com a promessa de aumentar a ajuda a África para 50 mil milhões de dólares até 2010. Na Cimeira Mundial da Fome, participantes de mais de 100 países comprometeram-se com 12 mil milhões de dólares para medidas de modernização da agricultura, incluindo a promessa de ajuda alimentar aos agricultores africanos de pequenas explorações.

    "Se essas promessas forem cumpridas, a fome no Terceiro Mundo diminuiria", disse Annan.

    Mas, segundo os especialistas presentes na conferência de Dublin, o número de pessoas com fome no mundo deverá passar este ano de 920 milhões para cerca de 970 milhões.

    "Que parte desses 12 mil milhões foram pagas? Que parte desses 12 mil milhões era dinheiro novo? Que parte dessa verba já tinha sido prometida uma e outra vez?", questionou Annan.

    O ex-secretário-geral recusou indicar que países não estão a cumprir os compromissos que assumiram e em que medida, tal como vários representantes de organizações ligadas à ajuda alimentar, com o argumento de que não faz sentido desagradar aos potenciais doadores.

    Annan defendeu que quaisquer progressos na luta contra a fome e contra a pobreza dependem da vontade dos governos para fazerem dessa luta uma prioridade.

    "A crise financeira não pode ser uma desculpa para a passividade. Devemos manter-nos firmes. Podemos acabar com a fome e com a pobreza", disse.

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