Açoriano Oriental
Incineração não é “solução a longo prazo”

A diretora de programas para o turismo sustentável da World Wide Fund for Nature (WWF), Martina Von Münchhausen, afirmou que a incineração não deve ser entendida como uma "solução a longo prazo".

Incineração não é “solução a longo prazo”

Autor: Lusa/AO online

"Claro que se tem de fazer alguma coisa com o lixo e o desperdício que não é recolhido ou reciclado. Mas a incineração não é uma solução a longo prazo", afirmou à Lusa, à margem do congresso da Global Sustainable Tourism Council (GSTC), que teve início na quinta-feira e decorre até esta sex, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

Martina Von Münchhausen considerou que a "incineração não é moderna, nem é um modelo de futuro", mas, ainda assim, é uma "melhor" solução do que as lixeiras a céu aberto ou aterros.

"A incineração, no momento, é melhor do que uma lixeira a céu aberto ou aterro. Quando a instalação é moderna, com tecnologia bastante desenvolvida, eu diria que é uma solução provisória. Mas, a longo termo, [a solução] é a reciclagem", destacou.

A especialista justificou a posição com as diretivas da União Europeia para 2020, que apontam para uma taxa de reciclagem na ordem dos 70%: "Temos de separar o máximo possível", frisou.

Von Münchhausen salientou que o tema da gestão do lixo deve estar "sempre no topo da lista", tratando-se de "uma questão muito importante para um destino sustentável", sobretudo quando as "atrações marinhas" são uma das ofertas principais do destino, como é o caso dos Açores.

"Se umas ilhas como os Açores querem ser sustentáveis, e são efetivamente agora com a certificação, têm de ter um adequado sistema de lixo e de gestão de desperdícios", apontou.

A responsável das matérias de turismo sustentável na WWF (organização não-governamental internacional que atua nas áreas da proteção e recuperação ambiental e animal) foi uma das oradoras principais da conferência, que na sessão da abertura foi o palco da certificação dos Açores enquanto destino turístico sustentável.

A instalação de uma incineradora na ilha de São Miguel tem sido alvo de debate ao longo dos últimos anos.

Em 2016, a Associação de Municípios da Ilha de São Miguel (AMISM) decidiu, por unanimidade, avançar com a construção de uma incineradora de resíduos, orçada em cerca de 60 milhões de euros.

Em outubro passado, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada decidiu anular a adjudicação da construção de uma incineradora em São Miguel ao consórcio Steinmuller Babcok Environment/CME, por parte da Musami - Operações Municipais do Ambiente, EIM SA.

Na altura, o movimento "Salvar a Ilha", composto por várias associações ambientalistas, congratulou-se com a decisão judicial de anular a adjudicação, pedindo para que o projeto fosse "blindado".

Esta semana, na quarta-feira, os seis municípios de São Miguel decidiram avançar com um novo concurso para a construção de uma incineradora na ilha açoriana, com menos 30% da capacidade inicialmente prevista.

Os Açores tornaram-se na primeira região do país certificada como destino turístico sustentável, distinção atribuída a apenas 13 regiões no mundo e entregue na quinta-feira com a categoria de “prata” pela certificadora Earthcheck.


 
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