Açoriano Oriental
Editores e Livreiros apontam cinco pontos “para rever e trabalhar no curto prazo” no setor

O presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Pedro Sobral, destacou hoje cinco pontos “para rever e trabalhar no curto prazo” no setor, entre eles o maior apoio às livrarias.

Editores e Livreiros apontam cinco pontos “para rever e trabalhar no curto prazo” no setor

Autor: Lusa /AO Online

Pedro Sobral falava na cerimónia de abertura oficial da 94.ª Feira do Livro de Lisboa, que contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, da ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, e do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.

Pedro Sobral referiu, como primeiro ponto, medidas de apoio às livrarias, que quer ver descentralizadas, noutros concelhos, além das capitais de distrito.

O presidente daa APEL, que organiza a Feira do Livro de Lisboa, quer “políticas de incentivo que permitam estabelecer e sustentar livrarias em todo o país, principalmente fora das capitais de distrito e também em cidades como Lisboa”.

“Políticas que podem ser de incentivos fiscais, ou redes de livrarias que promovam a literatura portuguesa e assim contribuir para a diversidade cultural”.

O responsável referiu-se ainda à necessidade de revisão da lei de preço fixo do livro que considerou “estrutural para garantir um ecossistema livreiro saudável, plural e diverso”.

De acordo com o presidente da APEL, esta revisão “deve passar por um equilíbrio do tempo de vigência do preço fixo para livros novos e, em simultâneo uma regulação de descontos após essa vigência”.

O terceiro ponto diz respeito a um investimento no acervo das bibliotecas. Um investimento que permita “a modernização do que está disponível nas bibliotecas escolares e municipais” para que “continuem a ser espaços de aprendizagem e cultura, que garantam o acesso universal ao livro”.

Outro ponto é o apoio à digitalização e inovação, que passa pela criação de incentivos para que “o setor editorial possa integrar novas tecnologias e se adaptar às mudanças, incluindo o impacto da Inteligência Artificial, assim como legislação que regule e defenda os Direitos de Autor e de Edição”.

O quinto ponto refere-se ao “cheque-livro” que o presidente da APEL quer que “seja uma realidade” ainda este ano. Esta medida “facilitaria o acesso aos livros e incentivaria à leitura, dinamizando o mercado editorial”.

A “promoção da literatura em língua portuguesa”, nomeadamente com a intensificação de iniciativas no estrangeiro, que promovam “os nossos autores, a nossa cultura e os nossos editores num cenário global”, foi também apontada pelo presidente da APEL.

Pedro Sobral afirmou que as medidas parecem “muitas, complexas e ambiciosas”, mas “todas são possíveis mantendo o atual canal de comunicação aberto entre editores e livreiros e os decisores políticos, desenhando em conjunto ações com base em dados do mercado e na experiência no terreno, que permitam eficácia e resultados práticos e reais”.

O responsável da APEL afirmou que “editores e livreiros estão otimista em que isto seja possível”.

Sobral disse que os últimos três anos têm sido de crescimento para o setor, com um aumento das vendas de 6% no ano passado e de 15%, nos dois anteriores. “Este ano, no final do primeiro trimestre vamos com mais de 7% no valor de livros vendidos e isso é bom”, enfatizou.

“Um crescimento apesar das dificuldades no setor”, alertou.

A ministra da Cultura, por seu turno, realçou a Feira do Livro de Lisboa como um “espaço de convergência” e “ponto de encontro entre autores, leitores, editores e livreiros”. Dalila Rodrigues disse ainda que “o espaço aberto e sem barreiras”, num jardim onde “todos são bem vindos”, é um exemplo de democratização da cultura.

A ministra saudou os “sinais de otimismo” no setor, havendo “mais livros a serem comprados em Portugal”, salientando que “os jovens são os principais responsáveis por este facto”, o que revela melhorias face à tendência assinalada nas últimas décadas.

Dalila Rodrigues afirmou que há ainda “desafios”, já que Portugal é o segundo país europeu com menos hábitos de leitura, “ou seja o aumento da venda de livros não corresponde à criação de mais hábitos de leitura”.

“Um dos desígnios deste novo ciclo político é recuperar o défice de leitura”, o que, segundo a governante, passa pela recuperação das redes de bibliotecas públicas, escolares e de investigação.

A ministra recordou que o programa do Governo prevê uma revisão da lei do preço fixo do livro, e disse que é necessário proteger os Direitos Autorais face às novas realidades digitais, nomeadamente no que se refere à Inteligência Artificial, tendo defendido a regulamentação desta ferramenta para garantir uma “adequada proteção do trabalho autoral, mas também o importante trabalho dos tradutores”.

A 94.ª Feira do Livro de Lisboa abriu hoje, no Parque Eduardo VII, com 350 pavilhões, 140 participantes e 960 marcas editoriais representadas e um total de 85.000 títulos, segundo a APEL.

A Feira está aberta até 16 de junho e paralelamente tem uma programação que conta 3.000 eventos, realçou hoje o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.

O autarca recordou que este ano celebramos os 500 anos do nascimento de Luís de Camões. E salientou “a mística própria e o cheiro dos livros” na Feira de Lisboa, que este ano espera ultrapassar a barreira dos quase 900 mil visitantes, alcançada no ano passado.


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