Montijo:

Transporte fluvial no Tejo poderá ser aposta para acesso ao aeroporto

Transporte fluvial no Tejo poderá ser aposta para acesso ao aeroporto

 

Lusa/Ao online   Nacional   27 de Out de 2018, 10:46

O transporte fluvial entre os concelhos da Margem Sul do Tejo poderá ser uma das grandes apostas das autarquias do distrito de Setúbal para criar boas condições de mobilidade de e para um possível aeroporto no Montijo.

Apesar de as opiniões divergentes quanto à construção do aeroporto na Base Aérea n.º6, no Montijo, existe concordância entre os autarcas dos concelhos de Alcochete, Montijo, Moita e Seixal sobre a necessidade de se criarem novos acessos, transportes e infraestruturas para a deslocação da população.

Um dos grandes investimentos associado a esta infraestrutura aeroportuária poderá ser o transporte fluvial entre os concelhos ribeirinhos do distrito.

“Temos sempre a aposta no transporte fluvial e não só para Lisboa diretamente, mas também entre o Barreiro e o Montijo, entre o Seixal e o Montijo. Esse tipo de transporte é uma das grandes mais-valias deste aeroporto, é o que vai colocar outra vez na ordem do dia, e de uma forma muito clara, o transporte fluvial no Tejo”, avançou à Lusa o presidente da Câmara Municipal do Montijo, Nuno Canta (PS).

No concelho do Montijo, esta aposta está ligada à ampliação do cais do Seixalinho, que através da Transtejo/Soflusa já faz a ligação até ao Cais do Sodré, em Lisboa.

Também o presidente do município do Seixal, Joaquim Santos (CDU), avançou que esta questão já foi debatida entre os concelhos de Almada, Barreiro e Montijo, além de ter sido enviada uma proposta à Transtejo e ao ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

“Defendemos uma nova ligação transversal, um barco de Almada até ao Seixal e ao Barreiro, do Barreiro ao Montijo e depois Lisboa, que fizesse toda esta ligação ribeirinha, porque nós somos muito próximos do ponto de vista geográficos, mas distantes devido ao recorte do rio Tejo. Estamos a um quilómetro de distância do Barreiro, mas para lá chegar temos que percorrer 13 quilómetros. Com a ligação de barco, em cinco minutos estaríamos praticamente neste território”, explicou Joaquim Santos.

Outro acesso necessário e confirmado será a “nova ligação à Ponte Vasco da Gama” a partir da Base Aérea n.º6, revelou Nuno Canta.

Em junho, o Público avançou que a construção desta ligação implicaria a expropriação de propriedades particulares no Montijo e em Alcochete, segundo um Estudo de Impacto Ambiental a que teve acesso.

O autarca do Montijo reconheceu que será uma medida necessária e “inevitável”, semelhante ao que aconteceu com a construção da Ponte Vasco da Gama.

Da mesma opinião é o presidente de Alcochete, Fernando Pinto (PS), que explicou que se trata de “um processo perfeitamente normal”.

“Nas reuniões que nós tivemos discutimos as questões da acessibilidade e verificámos que, de facto, Alcochete está aqui num eixo muito fértil em termo de saídas, quer para o sul, quer para o norte, quer inclusivamente para o próprio Alentejo e é natural que, com a implementação desta nova solução aeroportuária, tenham que ser feitas algumas expropriações, mas considero isso um processo perfeitamente normal”, justificou.

Nuno Canta deu ainda pistas sobre a criação de um “túnel entre o próprio aeroporto e o Barreiro”, permitindo que os dois concelhos fiquem a apenas cerca de dois quilómetros de distância, assim como a criação do “comboio direto do aeroporto” e a expansão do Metro Sul do Tejo.

Para o autarca, a criação deste tipo de transportes “beneficia quem tem de trabalhar”.

Já o presidente do município de Alcochete, Joaquim Santos, defendeu a criação da Estrada Regional 10, prevista no Plano Rodoviário Nacional de 2000.

“Eu diria que era preciso construir a Estrada Regional 10, que vem de Almada até ao Seixal, com uma ponte para o Barreiro, com uma ligação à Moita e fazer uma perna para a península do Montijo, para esse novo aeroporto, e se poder ter uma acessibilidade plena em termos dessa infraestrutura”, avançou.

Para o autarca da Moita, Rui Garcia (CDU), em relação à revisão dos transportes “é possível encontrar soluções não muito difíceis, desde que haja investimento”, o que não será tão fácil em relação à travessia do rio Tejo.

“Há problemas que se vão agravar se não se encarar de vez e incisivamente a questão da terceira travessia do Tejo. Com ou sem aeroporto a terceira travessia do Tejo é uma necessidade porque a ponte Vasco da Gama também já está a ficar com um tráfego muito intenso e não vai faltar muito para que esteja tão congestionada como está a ponte 25 de abril”, frisou.




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