Rio convoca Conselho Nacional do PSD para votar moção de confiança à sua direção

Rio convoca Conselho Nacional do PSD para votar moção de confiança à sua direção

 

Lusa/Ao online   Nacional   12 de Jan de 2019, 19:55

O presidente do PSD, Rui Rio, anunciou este sábado que pediu a convocação de um Conselho Nacional do partido para que o órgão aprecie e vote uma moção de confiança à sua direção.

"Se for esse o seu entendimento, o Conselho [Nacional] pode retirar a confiança à direção nacional e assumir democraticamente a responsabilidade de a demitir. Se os contestatários não conseguiram reunir as assinaturas para a apresentação de uma moção de censura, eu próprio facilito-lhes a vida e apresento [...] uma moção de confiança", afirmou Rui Rio, numa declaração à imprensa e a militantes num hotel do Porto.

Fonte da direção nacional disse à Lusa que esta reunião, de acordo com os estatutos, se realizará no prazo “mínimo de três dias e no máximo de 15”.

Recusando o repto lançado na sexta-feira por Luís Montenegro para a realização de eleições diretas, e iniciar “uma caminhada insensata para o abismo”, Rui Rio acusou o antigo líder parlamentar do PSD de levar a cabo um “golpe palaciano”, de se mover por uma “teia de interesses”, de “falta de firmeza para travar os instigadores” que “apenas se movem pela tentativa de manutenção dos lugares nas listas do partido”, de colocar a “agenda pessoal” à frente dos interesses do partido e do país, e de prestar “um serviço de primeiríssima qualidade” ao PS e a António Costa.

“É exatamente isto que quero mudar. Quero um partido frontal, genuíno e sincero. Aberto a naturais e salutares divergências, mas fechado às que são meramente táticas e artificiais. Lançar o PSD numa nova disputa interna à porta de eleições é fazer o jogo do PS e prestar serviço de primeiríssima qualidade a António Costa”, afirmou.

Citando Francisco Sá Carneiro, Rio terminou o discurso afirmando que “a política sem risco é uma chatice”, mas “sem ética é uma vergonha”.

“Efetivamente, se assim não for, eu próprio nada estarei aqui a fazer”, disse.

“Nunca participei nem participaria em golpes palacianos. Candidatei-me em nome de um projeto para o país, sem nenhuma ambição pessoal, apenas com sentido de missão e disponibilidade para trabalhar honestamente em prol de Portugal”, frisou.

Referindo-se às eleições no partido, há um ano, Rio questionou: “Será legítimo que quem, podendo disputar eleições, opte por não o fazer para depois condicionar os calendários do partido à sua agenda pessoal?”.

“A minha resposta é não”, frisou.

Rio lembrou que Montenegro “tinha toda a legitimidade para se ter candidatado a presidente do partido [há um ano, nas eleições que deram a vitória a Rio], mas “não o fez por razões puramente táticas”.

“Não o tendo feito, terão o PSD e o país que padecer porque Luís Montenegro passou a ter, agora, vontade de ser presidente do partido”, questionou.

Rui Rio defendeu que o PSD “não se pode tornar num partido de gente irresponsável que não é capaz de dimensionar a verdadeira consequência dos seus atos”.

“É um partido grande e importante demais para poder estar sujeito a permanentes manobras táticas ao serviço de interesses individuais ou de grupos – sejam mais às claras ou mais escondidos sob o manto de um qualquer secretismo”, frisou.

De acordo com Rio, Montenegro “entende que o partido se deve atolar, outra vez, num longo processo eleitoral interno, abandonando nos próximos meses a oposição ao PS e a construção de uma alternativa de governo”.

“Não há memória de, na história da democracia portuguesa, um dirigente partidário ter lançado propositadamente tamanha confusão e instabilidade no seu partido a tão pouco tempo das eleições”, disse.

O líder social-democrata disse ainda que “repudia” e deve “combater” a “permanente política do bota-abaixo e da sobreposição egoísta do interesse partidário ao interesse nacional”.

“Nunca enganei ninguém. Foi isto que sempre disse, particularmente durante toda a campanha para a eleição interna que disputei há precisamente um ano”, recordou.

Rio indicou também ter “referido que os partidos têm de ser capazes de se reformarem, de se livrarem da teia de interesses em que se deixaram envolver e de recuperar a credibilidade”.

“Estou convencido de que, se assim não for, não só a democracia se vai desvirtuando, como o país não estará capaz de encontrar soluções que resolvam os atrasos estruturais de que há muito padecemos”, afirmou.

Na sexta-feira, o antigo líder parlamentar do PSD Luís Montenegro anunciou a disponibilidade para se candidatar à liderança, desafiando Rio, que completa no domingo um ano como presidente do partido, a convocar eleições diretas antecipadas de imediato.



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