Açoriano Oriental
Partidos admitem estudo sobre transporte marítimo de carga nos Açores

Os partidos com assento no parlamento açoriano admitem o estudo sobre um novo modelo de transporte marítimo de carga, proposto pelo CDS-PP e para o qual o Governo Regional diz estar disponível, ressalvando que qualquer modelo está sujeito a “imponderáveis”.

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Foto: GaCS
Autor: Lusa/AO online


O debate de urgência sobre o transporte marítimo de mercadorias no arquipélago e de/para o continente, proposto pelo CDS-PP, marcou a manhã no hemiciclo açoriano, com os centristas a insistirem na necessidade de um estudo sobre a viabilidade económica de um modelo alternativo, por entender que o atual não satisfaz as necessidades da região.

“O CDS trouxe aqui as legítimas preocupações dos comerciantes e da população dos Açores […]. Há coisas que têm de ser fiscalizadas, corrigidas e melhoradas. Este modelo está visto que não funciona”, considerou o líder parlamentar centrista, Artur Lima.

A secretária regional dos Transportes e Obras Públicas, Ana Cunha, afirmou que “o Governo Regional está sempre disponível para estudar o modelo” de transportes, mas referiu que o CDS-PP “não diz o que entende que está mal no atual modelo”. Aliás, sublinhou, este “tem a virtude de conciliar de forma satisfatória o interesse das diferentes ilhas, e, por conseguinte, dos Açores”.

“Quando alguns defendem que é necessário um novo modelo que traga mais previsibilidade, assumem o equívoco, já que os desvios do itinerário se prendem, na sua grande maioria, com as condições do mar e essas são externas a qualquer modelo”, considerou a governante, recordando também a ocorrência de greves, avarias e a logística portuária.

A proposta colheu o apoio dos partidos, tendo o deputado do PSD António Vasco Viveiros evidenciado a “arrogância” do executivo socialista, que neste final de mandato “se tenta mascarar com aparentes, mas falsas intenções de diálogo”.

Segundo o social-democrata, a “possibilidade de qualquer estudo vem evidenciar a alteração do modelo, amedronta o governo, pela incapacidade de tomar quaisquer decisões” em relação a esta matéria.

Já o PS, pela voz de André Rodrigues, mostrou-se “disponível para viabilizar os estudos, desde que sejam assumidos os pressupostos” de que os socialistas não estão dispostos a abdicar, nomeadamente as obrigações de serviço público que os operadores “de um mercado liberalizado, sem subsidiação do Estado”, têm de cumprir.

As obrigações de serviço público pautaram as intervenções da esquerda, com o deputado Paulo Mendes, do BE, a sublinhar a importância da sua manutenção, para garantir um serviço “sem ilhas de primeira e de segunda”.

O deputado único comunista, João Paulo Corvelo, considerou que o “atual modelo necessita de alguns ajustamentos, mas tem servido razoavelmente”, e apoiou o estudo, afirmando que qualquer modelo, “além de atender a todas as ilhas, tem de ter como base necessidades específicas de cada uma das ilhas”.

Para a deputada independente Graça Silveira, que abandonou a bancada centrista em outubro, “este modelo, além de ineficiente, é imprevisível e é caro”.

No seu entender, “o preço da coesão não pode ser pago por empresas” das ilhas de São Miguel e da Terceira, e o Governo deve acarretar diferencial do preço dos fretes para ilhas mais pequenas.

Paulo Estêvão, deputado único do PPM, eleito pelo Corvo, chamou a atenção para a situação da ilha, que esteve 50 dias sem ser abastecida por via marítima depois do furacão Lorenzo, e acusou o executivo açoriano de estar “pouco preocupado” com a situação e de “esconder dados” em relação à operação.

Ana Cunha respondeu à acusação dizendo que o parlamentar também “esconde dados”, quando não reconhece que durante o período sem transporte marítimo para a ilha o Fundo Regional de Coesão suportou o transporte de nove toneladas por via aérea.


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