Açoriano Oriental
Mais de metade dos desempregados em risco de pobreza nos Açores

Entre a população desempregada, a taxa de risco de pobreza em 2022 atingiu os 62,3%, quatro vezes maior que entre os que têm emprego. Já a taxa de risco de pobreza da população empregada era de 16,4%, a mais alta das regiões NUTS I do país

Mais de metade dos desempregados em risco de pobreza nos Açores

Autor: Ana Carvalho Melo

Mais de metade da população desempregada nos Açores estava em risco de pobreza em 2022, sendo que na Região o risco de pobreza entre quem trabalha era o maior do país. 
As conclusões são do Instituto Nacional de Estatística (INE), que se baseia nos dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR) relativos a 2022.

Segundo o gabinete de estatística, em 2022, 26,1% dos açorianos estavam em risco de pobreza, sendo que a taxa de risco de pobreza para a população desempregada ascendia 62,3%, enquanto a da população empregada era de 16,4%.

Comparando com a globalidade do país, considerando que o limiar de pobreza correspondia, em 2022, a 7095 euros anuais, cerca de 591 euros por mês, a taxa de risco de pobreza para a população desempregada era de 46,7% e para a população empregada de 10% (ver imagem acima). Refira-se que 17% das pessoas que viviam em Portugal estavam em risco de pobreza.

Ainda que o risco de pobreza mais elevado entre a população desempregada em comparação com a população empregada seja comum às três regiões NUTS I portuguesas (Continente, Região Autónoma dos Açores e Região Autónoma da Madeira), o INE realça que se regista uma distância maior nas Regiões Autónomas do que no Continente.
Nesse sentido, destaca os Açores e a Madeira “pelo maior risco de pobreza entre a população empregada, mas sobretudo entre a população desempregada, na medida em que, em ambas as regiões, mais de metade das pessoas nesta condição eram pobres”.

Por outro lado, o INE realça que quer no Continente, quer nas Regiões Autónomas, a pobreza relativa da população reformada aproximou-se mais da respeitante à população empregada do que da correspondente à população desempregada, considerando que tal se justifica pelo contributo do sistema de proteção social para o nivelamento dos rendimentos. Refira-se que nos Açores o risco de pobreza das pessoas reformadas era de 18,1%, enquanto na globalidade do país era de 15,4%.

O INE refere ainda que o risco de pobreza das pessoas em condição de inatividade, que não a reforma, foi mais próximo do risco de pobreza das pessoas desempregadas. Nos Açores, o risco de pobreza era de 46,9%, enquanto no país era de 31,2%.

Risco de pobreza reduz com aumento da escolaridade

De acordo com os dados do INE, verifica-se que o risco de pobreza na população com escolaridade inferior ao ensino básico é quatro vezes superior ao da população com ensino superior.

Nesse sentido, o INE revela que em Portugal, enquanto 22,6% da população que, no máximo, apenas tinha concluído o ensino básico era pobre, o risco de pobreza descia para 13,5% da população que tinha terminado o ensino secundário ou pós-secundário e para 5,8% da população que tinha concluído o ensino superior.

Já na análise por regiões NUTS I do país, verifica-se que a relação inversa entre a escolaridade e a pobreza é mais evidente nas Regiões Autónomas e, em particular, nos Açores.
“Nesta região, mais de um terço dos indivíduos com escolaridade correspondente, no máximo, ao ensino básico encontrava-se, em 2022, em risco de pobreza. Era também na Região Autónoma dos Açores que a diferença da incidência da pobreza entre não ter ou ter um nível de escolaridade acima do ensino básico era maior: 34,0% e 10,3%, respetivamente”, refere o INE.

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