Açoriano Oriental
Mais de metade dos açorianos têm competências digitais baixas

Em 2023 na Região apenas 49,3% dos açorianos dos 16 aos 74 anos têm competências digitais ao nível básico ou acima de básico. Comparando com as outras regiões, só o Alentejo apresenta números piores que os Açores, revela estudo do INE

Mais de metade dos açorianos têm competências digitais baixas

Autor: Rafael Dutra/Nuno Martins Neves

A proporção de pessoas dos 16 aos 74 anos nos Açores em 2023 com competências digitais de nível baixo, ou inferior a baixo é de 50,7%. Um aumento relativo a 2021, em que menos de metade (48,8%) apresentava este nível de competências, revela um inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE), no âmbito da ‘Utilização de Tecnologias de Informação e da Comunicação das Famílias’.

Segundo estes dados, na região dos Açores somente 49,3% da população na faixa etária analisada tem competências digitais de nível básico ou acima do básico. Um número inferior à media nacional, de 56%.

Ou seja, os Açores apresentam números superiores à média nacional, em que apenas 44% da população dos 16 aos 74 anos tem níveis de competência digitais baixos ou inferiores a baixos.

Só a região do Alentejo apresenta números piores, com mais de metade (52,2%) das pessoas nesta faixa etária a terem competências digitais inferiores às básicas.

A utilização de software de folha de cálculo e processamento de texto, a edição de fotografias, vídeo e áudio, e a confirmação da veracidade de conteúdos encontrados na internet são exemplos de indicadores utilizados para medir o nível de competência digital.

Relativamente às categorias de competências digitais, estas dividem-se em: acima do básico; básico; baixo; reduzido; limitado; sem competências, e não utilizou a internet nos três meses anteriores à entrevista.

Ainda de acordo com o INE, é possível verificar que o número de pessoas nos Açores, na faixa etária analisada, que utilizaram a internet nos três meses anteriores à entrevista, é de 86,8%, número superior à media nacional (85,8%).

Em Portugal a internet é utilizada predominantemente com o objetivo de comunicar e aceder informação.

Sendo que 92,2% das pessoas usam-na para trocar mensagens instantâneas (WhatsApp, Messenger, etc.); 87,5% para enviar ou receber emails; 85,3% para pesquisar informação sobre produtos ou serviços; 82,4% para telefonar ou fazer chamadas de vídeo, 79,7% para ler notícias e 79,3% para aceder às redes sociais. Ouvir música (72,6%) e a utilização de serviços bancários (68,6%) são outras atividades realizadas por mais de dois terços dos utilizadores de internet.

Apesar de ter números de utilizadores superiores à média portuguesa, os Açores têm o menor número de pessoas (61,7%) a aceder, nos 12 meses anteriores à entrevista, websites de organismos públicos. Um número bastante inferior à média nacional (69,6%).

Uma tendência que se mantém também na utilização de Cartão de Cidadão ou Chave Móvel Digital, na autenticação e acesso a serviços online. Só 27,2% dos entrevistados na Região, nos 12 meses anteriores à entrevista, utilizaram estes meios de autenticação online, em relação aos 30,4% a nível nacional.

Ainda de acordo com dados divulgados pelo INE, é possível constatar que nos Açores, 41% das pessoas nesta faixa etária utilizaram o comércio eletrónico, nos três meses anteriores à entrevista. Já em Portugal Continental este número sobe para 43,9%.

Em 2023, os Açores foram a segunda região com maior número de agregados familiares com ligação à internet em casa (93,6%) e ligação por banda larga (90,4%).

Somente a Área Metropolitana de Lisboa registou uma maior taxa na ligação à internet em casa (94,6%) e na ligação por banda larga (91,3%). Números superiores à média nacional, na ligação à internet (89%) e ligação através de banda larga (85,8%).

Já quanto à ligação fixa e móvel à internet em casa, os Açores voltaram a ter a segunda maior taxa de uso de Portugal, com 89,3% e 46,4% respetivamente. Comparativamente à média nacional, é um valor superior à ligação fixa ( 83,8%), mas inferior à ligação móvel (49,5%).

Refere-se que, para efeitos de contexto da amostra para o estudo, o INE recolheu dados de 7.672 agregados domésticos com pelo menos uma pessoa com idade dos 16 aos 74 anos e igual número de pessoas nessa faixa etária, e através do qual realizou esta estimativa a nível nacional. A amostra foi “dimensionada e estratificada por NUTS II, de forma a produzir estimativas representativas” para Portugal Continental, Açores e Madeira.


Um terço das pessoas encontra conteúdos agressivos na Internet

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, em Portugal um pouco mais de um terço das pessoas dos 16 aos 74 anos (35,5%) encontra, durante a utilização da internet, conteúdos que percecionam como agressivos, discriminatórios ou humilhantes, por motivo de discriminação.

Segundo o estudo, os motivos associados aos conteúdos variam, mas os principais estão relacionados com questões ligadas à nacionalidade, origem étnica ou racial (27,9%), à identidade ou orientação sexual (26%) e ao posicionamento político ou social (25,5%). Outros motivos encontrados estão relacionados com: a religião e crença espiritual (18,9%), o sexo biológico (15,1%) e a incapacidade física, cognitiva ou outra (13,4%).


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