Açoriano Oriental
Governo francês de Macron anuncia medidas sociais perante ameaça de derrota eleitoral

O Governo francês, ameaçado pela possibilidade de uma derrota histórica nas legislativas antecipadas e ser substituído pela extrema-direita, apresentou sábado uma série de medidas em prol do poder de compra, para tentar mudar a tendência prevista nas sondagens.

Governo francês de Macron anuncia medidas sociais perante ameaça de derrota eleitoral

Autor: Lusa/AO Online

O primeiro-ministro, Gabriel Attal, explicou, numa entrevista ao canal da televisão pública France 2, que, no programa eleitoral que está a preparar para as eleições de 30 de junho e 07 de julho, “o poder de compra será central” e que o seu lema será “ganhar mais e gastar menos”.

A fatura da eletricidade vai baixar 15% “a partir do próximo inverno”, graças à “reforma do mercado europeu que conseguimos”, afirmou.

Embora não tenha fornecido mais pormenores, por detrás desta reforma está a ideia de permitir que os consumidores franceses beneficiem da eletricidade produzida pelas centrais nucleares, em vez de o preço ser fixado pela última central que entra em funcionamento para satisfazer a procura através do sistema marginalista.

Attal indicou que será criado um fundo para permitir às classes média e baixa procederem à renovação térmica das suas casas, financiado por um imposto sobre a compra de ações, com um objetivo de 300.000 habitações até 2027.

O chefe do executivo francês referiu também que o montante anual dos bónus que as empresas podem pagar aos seus trabalhadores, livres de impostos, será aumentado dos atuais 3.000 euros por ano para 10.000 euros por ano.

Segundo o Governo, esses prémios - que permitem às empresas remunerar os seus trabalhadores a título excecional, sem que essa remuneração seja incluída no salário, e com isenção de impostos - beneficiaram em 2023 seis milhões de trabalhadores em França.

Prometeu igualmente que as pessoas que não têm um seguro que cubra parcialmente despesas de saúde que não são reembolsadas pela Segurança Social poderão ter um seguro público, pelo preço de um euro por dia.

Antes de anunciar todas estas medidas, Attal não se coibiu de atacar os dois blocos políticos adversários que, segundo as sondagens, têm mais hipóteses de vencer as eleições legislativas antecipadas, a União Nacional (RN, na sigla em francês) da líder histórica da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, e a nova Frente Popular, que reúne os partidos de esquerda.

“Não queremos a ruína económica que nos está a ser proposta”, declarou, antes de avisar: “As oposições estão a prometer-nos mundos e fundos”.

Tanto o RN como a Frente Popular incluem no eixo central dos respetivos programas medidas para aumentar o poder de compra dos cidadãos franceses, que é a principal preocupação dos eleitores, segundo as sondagens.

No topo da lista dessas medidas, está a redução dos preços da energia, quer através de uma redução dos impostos, quer através de um congelamento dos preços.

Cerca de 32% dos franceses querem a vitória do RN, de extrema-direita, nas eleições legislativas que se realizarão dentro de duas semanas, ao passo que 26% apoiam a nova Frente Popular, coligação de esquerda, e 17% querem a vitória do bloco presidencial centrista, liderado pelo partido Renascimento do Presidente Emmanuel Macron.

A sondagem, realizada pela empresa Elabe para a estação televisiva BFMTV e para o jornal La Tribune Dimanche, dava a escolher entre os três principais blocos políticos candidatos às eleições de 30 de junho e 07 de julho, mas cerca de 25% responderam não ter opinião.

Cerca de 640.000 pessoas, segundo as entidades que convocaram os protestos, e 250.000 pessoas, segundo a polícia, manifestaram-se hoje em 150 cidades e vilas de França contra a extrema-direita, numa demonstração de força com um caráter marcadamente eleitoral, dada a proximidade das eleições legislativas antecipadas.

As manifestações, convocadas pelos principais sindicatos franceses também para este domingo, decorreram em Paris e noutras grandes cidades francesas. Na capital, houve duas marchas que partiram da praça da República e convergiram para a praça da Nação, noticiou a BFMTV.

De acordo com as estimativas da polícia citadas pela BFMTV, eram esperadas entre 50.000 e 100.000 pessoas, o que fez com que os protestos fossem um êxito, para as organizações que a elas se juntaram, como a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), os sindicatos de estudantes, o SOS Racismo e a Liga dos Direitos Humanos.

A convocatória condena o “resultado sem precedentes” alcançado pelo RN, de extrema-direita, a força mais votada nas eleições europeias de 09 de junho, e afirma temer que a extrema-direita “ganhe poder” nas próximas eleições.

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