Especialistas temem boicote dos EUA no Ambiente


 

Lusa/AOonline   Internacional   22 de Set de 2007, 11:51

 Representantes de mais de 150 países reúnem-se segunda-feira em Nova Iorque num encontro das Nações Unidas para discutir o problema das alterações climáticas, mas especialistas portugueses temem que a administração norte-americana possa boicotar a discussão.
 Nova Iorque acolhe segunda-feira a 62º sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no âmbito da qual o secretário-geral da organização Ban Ki-moon convidou vários chefes de Estado e governo a reunir para preparar as negociações do acordo pós-Quioto que começam em Dezembro em Bali.

Três dias depois, a 27 de Setembro, os Estados Unidos promovem em Washington um encontro sobre o mesmo tema, para o qual convidaram os maiores poluidores do mundo, como a China e a India, e vários países da União Europeia.

"Finalmente os Estados Unidos assumem que existe um aquecimento global provocado pelas actividades humanas, o que não faziam há poucos anos. É uma mudança no sentido positivo. Mas os Estados Unidos não querem metas de redução. Querem reduzir as emissões sem prejudicar o crescimento económico. Receio que muitos países possam ser atraídos por esta filosofia" contrária à da União Europeia, que tem metas de redução das emissões, afirmou à agência Lusa o especialista Filipe Duarte Santos.

 Este responsável adiantou "temer" que este encontro organizado pelos Estados Unidos possa "dificultar as negociações em Bali" em Dezembro, o primeiro passo para exigir um acordo depois de 2012 mas que exige a unanimidade de todos os países.

"Mas tenho muito expectativa em Bali. Se 150 países forem firmes para estabelecer metas de redução, como as que existem na união Europeia, isso seria um grande passo. Claro que o desejável é que fosse um projecto de todo o mundo", adiantu o especialista em alterações climáticas, que vai estar no encontro de segunda-feira em Nova Iorque.

O ambientalista Francisco Ferreira, da associação Quercus, que também vai a Nova Iorque para a reunião organizada pelo secretário-geral da ONU, disse à Lusa que "este é um momento crucial para que as Nações Unidas reforcem o seu protagonismo negocial no caminho para um acordo pós-2012, que continue o esforço de redução previsto no primeiro período do Protocolo de Quioto" que termina em 2012.

 "Os EUA, cuja actual Administração em termos internacionais tem boicotado todas as negociações sobre o clima, não ratificando Quioto, vão promover uma conferência onde, de forma subtil, vão tentar desenhar um caminho alternativo a Quioto, caminho esse que tem de ser frontalmente recusado pelos outros países desenvolvidos", defendeu Francisco Ferreira.

Em nome da União Europeia, o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, defendeu sexta-feira, num encontro com jornalistas em Lisboa, que os países em desenvolvimento devem contribuir para a mitigação das alterações climáticas através de compromissos voluntários.

"A visão da união Europeia é a de metas absolutas [de redução das emissões de gases com efeito de estufa] para os países desenvolvidos e contributos voluntários para os países em desenvolvimento, mas contributos que possam ser reportados", disse, falando como representante da presidência portuguesa da União Europeia.

Em Nova Iorque os representantes de 150 países, entre os quais 70 chefes de Estado e de Governo, vão centrar a discussão em quatro aspectos do problema das alterações climáticas: mitigação [redução das emissões], adaptação, tecnologias e financiamento.

Quanto ao encontro promovido pelos Estados Unidos, que não ratificaram o protocolo de Quioto, Humberto Rosa disse ser uma iniciativa que "pretende juntar esforços das grandes economias para ver que ingredientes deverão compor o pacote climático".

Os Estados Unidos têm, no último ano e meio, assumido a importância das alterações climáticas mas com uma postura diferente da União Europeia, pois recusam metas de redução de emissões de carbono, sugerindo antes estudar para cada sector económico o contributo que pode ser dado sem prejudicar a economia.

"É uma nova posição dos Estados Unidos, que pareciam estar arredados do tema das alterações climáticas. O encontro organizado pelos Estados Unidos seria negativo se fosse um processo paralelo e desviante. Mas está claríssimo que não", defendeu Humberto Rosa.

 O governante defendeu que "não é propaganda" dizer que a União Europeia está na vanguarda das alterações climáticas e salientou que a União Europeia considera os contragimentos ambientais - da redução das emissões - uma "oportunidade económica" e "não um constragimento económico".
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