Economia

Crise congela investimento em novos empreendimentos turísticos

Crise congela investimento em novos empreendimentos turísticos

 

Lusa/AOonline   Nacional   27 de Out de 2008, 10:07

A crise veio paralisar o interesse pela construção de novos resorts e desacelerar o ritmo de vendas nos aldeamentos turísticos do Oeste, mas os investidores estão optimistas quanto ao futuro da região enquanto novo destino turístico do país.
Numa região onde já estão previstos 2,5 mil milhões de euros de investimentos, “parou a procura por novos investimentos” por parte dos promotores turísticos, sublinha à agência Lusa o presidente da comissão instaladora do pólo de turismo do Oeste, António Carneiro.

    Entre os projectos em curso, o Sizandro Village Resort, aprovado para o litoral do concelho de Torres Vedras, é o mais afectado pela crise internacional.

    “Estamos a passar por uma situação difícil desde há um ano nos mercados financeiros e para já não vamos avançar com o projecto até esta fase passar” revela à agência Lusa Andrew Coutts, assessor do promotor em Portugal e presidente da consultora ILM- THR.

    Por estar ainda em projecto, os investidores decidiram atrasar o arranque das obras em ano e meio e apontam 2013 como o ano da conclusão da primeira fase (hotel de cinco estrelas da marca Intercontinental e campo de golfe de 18 buracos) do empreendimento estimado em 200 milhões de euros.

    Contudo, é no turismo residencial que os efeitos da turbulência da banca mais se fazem sentir, face às dificuldades dos investidores em obter financiamento para a compra de segunda habitação.

    Vários promotores contactados pela Lusa são unânimes em afirmar que no sector imobiliário se nota um “abrandamento” da procura.

    “Estávamos com um ritmo de vendas muito elevado e desde há cinco meses começámos a notar uma clara retracção”, apontou José Fortunato, administrador do Royal Óbidos SPA & Golf Resort, empreendimento de 200 milhões de euros do Grupo Oceânico.

    Tratando-se de segundas habitações de 1,5 milhões de euros direccionadas ao mercado do norte da Europa, com forte poder de compra, os investidores consideram que os potenciais compradores mantêm o interesse, mas estão a ser mais cautelosos e acabam por demorar mais tempo a fechar o negócio.

    No empreendimento do Campo Real, onde há um ano abriu o primeiro hotel de cinco estrelas da marca Westin em Portugal, “desde Agosto que tem sido impossível ter uma decisão” de compra de unidades residenciais, exemplifica Eduardo Netto de Almeida, presidente do Grupo Orizon.

    Para a maioria dos promotores, trata-se sobretudo de uma “crise de confiança” nos sistemas financeiros que, a longo prazo, pode coloca em risco estes investimentos de grande solidez financeira.

    “Há pessoas a visitar-nos e com interesse, mas muitas delas estão à espera que haja um outro clima de confiança”, diz Miguel Abreu, administrador do complexo Quintas de Óbidos (mais de 100 milhões de euros).

    No sector hoteleiro, a crise quebrou parte das previsões das taxas de ocupação no hotel Westin, inaugurado há um ano no complexo do Campo Real e uma das duas unidades de cinco estrelas em funcionamento na região.

    “Nos últimos três meses ficámos muito aquém das nossas expectativas em relação ao mercado inglês”, adianta Eduardo Netto de Almeida, que aponta para valores quase 10 por cento abaixo do previsto para a época alta.

    Ainda assim, o responsável está “muito optimista” e vai investir 135 milhões de euros na ampliação do complexo (construção de outro hotel de cinco estrelas, aparthotel, aldeamento turístico com 320 moradias e ampliação do campo de golfe de 18 para 24 buracos).

    Houve um “atraso no licenciamento”, mas “continua a ter tudo planeado para iniciar as obras no ano que vem”, apesar de admitir que “todo o financiamento está a ser repensado e renegociado” e que a estratégia passa por “abrir o resort a novos mercados”.

    Confiantes na retoma dos mercados e com os financiamentos assegurados está também a maioria dos investidores. Mesmo em tempo de crise, não tencionam alterar os planos de investimento, ao sentir que o Oeste “dá garantias” não só por ser um “novo destino turístico”, mas também porque “não é uma zona demasiado ocupada”.

    “Não iremos alterar os planos, mas vamos ser mais cautelosos olhando para o mercado”, frisa por seu turno o vice-presidente do Grupo Béltico, que mantém a intenção de investir 300 milhões de euros num novo complexo (Falésia d’el Rey) junto ao actual, com um hotel de cinco estrelas e um hotel de charme.

    Com a retracção dos mercados do norte da Europa, as alternativas passam por procurar novos mercados.

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