2017: Furacões, inundações e secas afetaram todo o mundo

2017: Furacões, inundações e secas afetaram todo o mundo

 

Lusa/AO online   Internacional   17 de Dez de 2017, 10:59

Fenómenos climáticos - como furacões e tempestades, com fortes ventos e inundações, ou secas - provocaram destruição e morte por todo o mundo em 2017, levando à deslocação de populações, como aconteceu na China, Caraíbas ou Estados Unidos.

Embora os cientistas continuem a escusar-se a relacionar os vários furacões com nomes de gente, do Maria ao Irma, com as alterações climáticas - porque, dizem, para analisar o clima é necessário olhar para períodos longos -, a cada tragédia colocam-se questões sobre as mudanças do tempo.

E não se trata somente da frequência dos fenómenos extremos, mas também da sua violência e, entre os furacões deste ano, alguns foram mesmo apresentados como sendo dos mais fortes de sempre.

Entre a dezena de furacões formados no Atlântico em poucas semanas, o Irma salientou-se pelos ventos acima de 300 quilómetros por hora, passando por várias ilhas das Caraíbas, incluindo Cuba, e pelos Estados Unidos da América (EUA), principalmente pelo estado da Florida.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, aquele foi o furacão mais forte de sempre no Atlântico, gerando mais energia que as oito tempestades que o antecederam na região, e atingiu a categoria 5, o máximo na escala de intensidade para aqueles fenómenos, acabando por devastar a quase totalidade de Barbuda e da parte francesa de Saint-Martin.

Como outros, foi destruindo o que ia encontrando, de casas a empresas ou infraestruturas, e exigiu operações de socorro e de evacuação, como na República Dominicana, onde 19 mil pessoas foram retiradas das suas casas, ou na Florida, onde causou a morte de 19 pessoas e levou à retirada de cerca de sete milhões de residentes e a que quase 3,5 milhões de consumidores ficassem sem eletricidade.

No oceano Atlântico chegaram a progredir em simultâneo três furacões, concertando ventos fortes e chuva, provocando inundações.

Harvey é outro nome de furacão, o mais forte a chegar aos EUA desde 2005, com ventos máximos de 215 quilómetros por hora, tendo causado pelo menos 80 mortos e dezenas de feridos, nomeadamente na região da cidade de Houston, e deixado cerca de 30 mil pessoas sem casa.

A chuva intensa que trouxe provocou inundações que levaram à suspensão da atividade na unidade de Baytown da petrolífera ExxonMobil e fez com que as ruas passassem a rios navegáveis, fazendo recordar o cenário vivido no país em agosto de 2005 com o furacão Katrina.

Porto Rico foi devastado pelo Maria e pelo menos 16 pessoas morreram, além de toda a ilha ter ficado sem eletricidade. Nas caraíbas, este furacão matou 33 pessoas.

Em Portugal, a passagem do furacão Ophelia colocou sete das nove ilhas dos Açores em alerta vermelho, com vários troços de estrada com circulação condicionada devido a rajadas de vento superiores s 100 quilómetros por hora, mas não chegou a provocar ocorrências graves.

No entanto, a tempestade provocada pelo Ophelia causou a morte de três pessoas na Irlanda.

Em agosto, foi a vez de Macau ser visitada pelo tufão mais violento dos últimos 18 anos, o Hato, que causou pelo menos dez mortos e 240 feridos, além de um rasto de destruição e caos na cidade.

Tempestades, algumas com ondas de frio, em várias cidades norte-americanas, francesas, polacas, australianas ou russas provocaram alguns mortos, problemas nos edifícios e desorganização nas ruas, acidentes de trânsito ou encerramento de aeroportos.

Mocoa, uma cidade do sul da Colômbia, é um exemplo de região afetada por cheias, com 279 mortos e centenas de desaparecidos, tal como o sul da Mauritânia, onde morreram 15 pessoas. No Vietname, foram contabilizados 72 mortos nas cheias e aluimentos de terra causados por uma depressão tropical que atingiu o norte e centro do país.

Ao mesmo tempo que por todos estes países os furacões e tufões produziam grandes quantidades de chuva, em outros pontos do mundo as elevadas temperaturas e a seca causavam problemas de fornecimento de água, mas também de abastecimento na agricultura, assim como efeitos na natureza, nomeadamente em Portugal e Espanha.

A falta de chuva durante meses trouxe a seca extrema ou severa à totalidade do continente português e, para que concelhos do distrito de Viseu não ficassem sem água nas torneiras, foi necessário levá-la em camiões-cisterna à albufeira que abastece aquelas populações.

Os fogos florestais são mais uma das consequências do tempo seco. Em Portugal, grandes incêndios em junho e outubro, em Pedrógão Grande e região centro - Viseu, Guarda, Coimbra, Leiria, Aveiro -, provocaram mais de 100 mortos e destruíram casas, empresas e muitos hectares de floresta.

Ao longo do ano, foram ainda notícia os grandes fogos no Canadá e nos Estados Unidos, tendo a região de Los Angeles, já em dezembro, assistido a evacuações em massa, destruição de edifícios, e pelo menos à morte de uma pessoa.

Outros fenómenos naturais, menos frequentes, chegaram, por exemplo, em maio, a Pequim, na China, que registou níveis de poluição considerados perigosos pelas autoridades, devido a uma tempestade de areia que obrigou ao cancelamento de vários voos e reduziu a visibilidade a poucas centenas de metros.

Este ano também registou vários sismos com alguma intensidade, que causaram mortos e destruição.

Na cidade do México, a terra tremeu em setembro com uma magnitude de 6,8 na escala de Richter, provocando pelo menos 360 mortos e 100 desaparecidos, enquanto outro sismo, que atingiu o nordeste do Iraque e as regiões de fronteira no Irão e Turquia, fez pelo menos 530 mortos.

A China organizou a retirada de cerca de 60 mil pessoas da província de Sichuan (sudoeste), depois do forte sismo que provocou pelo menos 24 mortos e transformou as paisagens da zona.



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