Movimentações sociais em Portugal vão continuar em 2014

Movimentações sociais em Portugal vão continuar em 2014

 

Lusa/AO online   Nacional   30 de Dez de 2013, 11:06

O politólogo António Costa Pinto considerou esta segunda-feira que 2014 vai ser um ano em que Portugal irá continuar com "algumas movimentações sociais" que vão englobar mais segmentos da sociedade.

“Em 2014 vamos, no fundamental, ter mais do mesmo. Algumas movimentações sociais serão continuadas em 2014 pela simples razão de que os processos que lhe estão na base também vão continuar no próximo ano”, disse à agência Lusa o professor no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Para o politólogo, 2014 vai ter um agravamento nas condições sociais, já que haverá uma quebra salarial no setor público que irá atingir ordenados a partir dos 600 euros, e por esse facto haverá “maior capacidade de mobilização de segmentos [da sociedade] que até ao momento só tinham sido parcialmente tocados pela desvalorização social”.

António Costa Pinto considera que a “continuidade e não o agravamento” da situação está baseada na continuidade do programa de ajustamento, salientando que, a continuar a relação atual entre Portugal e a União Europeia, o processo de desvalorização interna vai manter-se.

“Os professores do ensino secundário vão continuar a ter problemas de redução salarial, de insegurança de trabalho e muitos outros segmentos da sociedade portuguesa vão continuar a atravessar os mesmos problemas. Ou seja, os portugueses irão continuar a empobrecer e as condições sociais vão ser as mesmas por um período longo de tempo. Vão continuar a perder direitos sociais, a perder estrutura salarial, mesmo que não seja pelo salário propriamente dito, mas pelo aumento dos serviços e congelamento salarial”, frisou.

O professor considera que só uma alteração no quadro do euro e da relação entre Portugal e a União Europeia é que “haverá alguma melhoria”, adiantando que a ajuda externa “é inevitável”.

“É previsível para Portugal movimentações sociais iguais àquelas que vivemos em 2014, o conceito de agitação social muitas vezes inclui a ocupação brutal e violenta da universidade Cairo ou da Praça Tahir, com 40 mortes no dia seguinte, e uma ocupação à frente do ministério será a segunda e não a primeira que ira continuar a caracterizar Portugal”, revela.

António Costa Pinto referia-se desta forma ao índice publicado no fim de semana pela Economist Intelligence Unit, que revela que Portugal tem um alto risco de agitação social no próximo ano, considerando, no entanto, que cada país é um caso, e que a revista “mistura conjunturas de radicalização muito diferenciadas de país para país”.

“O maior inimigo dos brandos costumes será o efeito de persistência, a duração no tempo das medidas de austeridade sem solução à vista”, adverte o politólogo.


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