Sociedade

Dia das bruxas enraizado na cultura portuguesa

Dia das bruxas enraizado na cultura portuguesa

 

Lusa/AOonline   Nacional   31 de Out de 2008, 09:49

O "dia das bruxas" é uma tradição enraizada na cultura portuguesa, através do culto dos mortos, a que nos últimos anos apenas foi acrescentado o uso de disfarces e a exibição de figuras vampíricas, segundo o sociólogo Jean Martin Rabot.
Jean Martin Rabot, professor e sociólogo da Universidade do Minho, considerou, em declarações à agência Lusa, que o “Halloween” (designação inglesa para “dia das bruxas”, que se assinala esta sexta-feira) é uma maneira de “exorcizarmos os medos que temos da morte numa civilização que a recalcou”.

    “É uma maneira de viver a morte no dia-a-dia, de apaziguá-la ou apaziguar os medos que lhe estão associados”, adiantou o professor, negando o facto de se tratar de uma festa que obedece apenas a “desígnios comerciais”.

    Segundo o sociólogo, nos últimos anos, as tradições nacionais associadas ao "dia das bruxas" passaram a incorporar o uso de máscaras e figuras vampíricas. Martin Rabot não sabe, no entanto, se se trata exactamente de uma "americanização" das tradições, porque "sempre houve uma interpenetração cultural".

    "A tradição enriquece-se sempre agregando elementos novos", destacou.

    Lojistas contactados pela Lusa afirmam que o "Halloween" é uma altura em que as vendas sobem, apesar de, este ano, a crise económica ter afectado o negócio.

    “Esta costuma ser uma época boa para o negócio, mas este ano temos vendido menos. As pessoas até compram, só que compram as coisas mais baratas”, disse à agência Lusa Milton Correia, gerente da loja de brinquedos e materiais didácticos “Papagaio sem penas” do centro comercial Vasco da Gama, em Lisboa.

    Milton Correia referiu que as “classes sociais mais altas” compram brincadeiras ou disfarces mais caros, como fatos que podem chegar aos 60 euros cada.

    “Os melhores dias são os últimos, apesar de muita gente ainda não saber o que é o dia de ‘Halloween’, vêem a montra enfeitada como no Carnaval e não sabem por quê”, acrescentou o gerente da loja.

    Também responsáveis da “Toys R Us” esclareceram que há cada vez mais pessoas a fazerem compras para o “Halloween” e que a maior parte das escolhas recaem sobre as perucas, as abóboras, os disfarces de bruxa, os acessórios e as pinturas faciais.

    Sónia Vales, gerente da loja “Imaginarium” do centro comercial Colombo, Lisboa, também é da opinião de que “a cada ano que passa há mais procura”.

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