2021

CDS definha em lutas fratricidas e vê sair personalidades

O CDS-PP viveu em 2021 uma crise interna que levou a duas tentativas de disputa pela liderança, um congresso antecipado e depois cancelado, e a desfiliação de personalidades como Adolfo Mesquita Nunes e António Pires de Lima.



Ao longo do ano, o presidente do CDS-PP foi alvo de duras críticas por parte de vários dirigentes e desafiado para eleições por Mesquita Nunes e Nuno Melo.

Depois de em janeiro ter celebrado a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa nas eleições presidenciais, Francisco Rodrigues dos Santos foi desafiado por Mesquita Nunes para marcar eleições antecipadas.

Na altura, o ex-vice-presidente de Assunção Cristas afirmou que seria candidato à liderança do partido caso fosse marcado esse congresso eletivo extraordinário.

Mas essa reunião magna não chegou a acontecer. O líder apresentou ao conselho nacional uma moção de confiança que foi aprovada com 54% dos votos e Adolfo Mesquita Nunes retirou-se.

Ainda assim, a este desafio seguiu-se uma cisão na direção do CDS-PP. Depois de Filipe Lobo d’Ávila ter feito um acordo com Francisco Rodrigues dos Santos no último congresso e ter integrado a direção como vice-presidente, o dirigente demitiu-se do cargo e mais de uma dezena de outros, maioritariamente vogais da comissão política nacional e da comissão executiva (órgão mais restrito da direção), fizeram o mesmo.

Meses mais tarde, nas eleições autárquicas de setembro, CDS-PP e PSD assinaram um acordo-quadro e foram coligados em mais de uma centena de municípios. Os centristas perderam votos onde concorreram sozinhos, mas mantiveram as seis câmaras a que presidem e chegaram à liderança de mais municípios juntamente com o PSD, entre as quais capitais de distrito como Lisboa ou Coimbra.

Na sequência das autárquicas, a direção do CDS propôs a antecipação do congresso, que estatutariamente deveria realizar-se no final de janeiro, dois anos depois da última reunião magna.

O 29.º congresso esteve marcado para 27 e 28 de novembro e seria em Lamego. O atual presidente e o eurodeputado Nuno Melo anunciaram que iriam disputar a liderança nessa altura.

Porém, com o chumbo do Orçamento do Estado e marcação de eleições legislativas antecipadas, a direção propôs (e o conselho nacional aprovou) o seu cancelamento e o adiamento para depois das eleições legislativas, ainda sem data marcada, à revelia de Nuno Melo e dos seus apoiantes, que acusaram a direção de falta de democracia interna e uma “tentativa de golpe de estado institucional”.

O eurodeputado e líder da distrital de Braga do CDS-PP impugnou esta decisão junto do conselho nacional de jurisdição, mas a análise deste processo está suspensa na sequência de suspeitas sobre alegadas incompatibilidades por parte de três membros, segundo transmitiu à Lusa o presidente daquele órgão.

Francisco Rodrigues dos Santos viu também questionada a sua legitimidade para liderar o CDS nas legislativas, uma vez que o seu mandato terminaria em janeiro. No entanto, o líder centrista recusou as críticas sustentando que a sua legitimidade “não é contada por dias”.

O ano ficou também marcado por desfiliações de antigos dirigentes nacionais com críticas à atuação da direção do CDS-PP, como o antigo deputado Francisco Mendes da Silva, o antigo secretário-geral adjunto Luís Marreiros, e mais recentemente saíram também do CDS Adolfo Mesquita Nunes, o antigo ministro da Economia e presidente do conselho nacional António Pires de Lima, a antiga deputada Inês Teotónio Pereira e o ex-dirigente nacional centrista João Maria Condeixa.

Depois de vários momentos de tensão com o grupo parlamentar, o líder da bancada, Telmo Correia, mas também os deputados João Almeida (que disputou a liderança contra Rodrigues dos Santos no último congresso) e Cecília Meireles indicaram que não pretendem regressar ao parlamento na próxima legislatura.

E durante o ano, dois dos cinco deputados deixaram o parlamento. Em março, o líder da distrital de Lisboa, João Gonçalves Pereira, e em setembro Ana Rita Bessa.

As sondagens nacionais mais recentes colocam o CDS-PP na casa do 1%, 2% das intenções de voto, e apontam subidas da Iniciativa Liberal e do Chega (atualmente com um deputado cada).

Nas últimas legislativas, em 2019, o partido teve pouco de 4% e viu o seu grupo parlamentar diminuído para cinco deputados, o que levou à saída de Assunção Cristas.

O líder centrista defendeu recentemente que o cenário de coligação para as eleições de 30 de janeiro apresenta “algumas vantagens” e considerou que “obedece a um princípio de coerência” que o CDS-PP tem firmado com o PSD, indicando que, durante o seu mandato, a coligação na região autónoma dos Açores que “terminou com uma hegemonia de 22 anos” do PS e nas eleições autárquicas “duplicaram as câmaras” que os dois partidos governam em conjunto.


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Informação transmitida pela GNR impede tripulação de veleiros de desembarcar no porto das Lajes das Flores, mesmo sendo proveniente do espaço Schengen. Economia local pode sofrer impacto, visto que anualmente chegam, em média, cerca de 300 veleiros à ilha. Tema já foi levantado pela Iniciativa Liberal/Açores, que pediu esclarecimentos ao Governo Regional