Açoriano Oriental
Artistas terceirenses tatuam na montanha do Pico

Diana e José Carlos Gomes, proprietários do estúdio “Poison Tattoo & Body Piercing” localizado na Praia da Vitória, subiram a montanha do Pico e tatuaram a 2351 metros de altitude.


Autor: Cátia Carvalho/AO Online

A experiência “difícil de colocar em palavras” foi idealizada por Belim Raposo, um veterano que já conta com mais de 80 subidas ao Pico e que contactou os tatuadores terceirenses com o desejo de ser tatuado no ponto mais alto de Portugal. O casal que gere em conjunto o estúdio Poison Tattoo & Body Piercing há 16 anos aceitou o desafio que “enquanto açorianos não podiam recusar” vivendo-o como uma “celebração do amor e paixão que ambos têm pela arte em que trabalham”.

“Quando subimos em 2016, o José Carlos tinha pensado nisso” conta Diana Gomes. “Na altura não foi possível porque as máquinas de tatuar tinham de ser ligadas à corrente elétrica. Desta vez era a nossa oportunidade porque já existe equipamento com autonomia para tatuar durante longas horas sem ser preciso corrente elétrica”.

A subida, que demorou cerca de 4 horas, foi exigente. “O espírito de equipa e o nosso grupo foram fundamentais” revela Diana. “Éramos no total 13 pessoas, três dos elementos não completaram a subida acabando por desistir e os restantes 10 chegaram ao topo”. Um momento descrito como “épico e inédito”.

“Foi uma noite mágica” recorda, “as condições climatéricas estavam perfeitas, conseguimos avistar as 5 ilhas do grupo central e assistir à chuva de estrelas de Agosto. Tínhamos 3 pessoas incríveis para tatuar e éramos o primeiro casal de tatuadores a conseguir esse feito. Descemos de coração cheio e com o sentimento de objetivo cumprido”.

As três tatuagens realizadas foram preparadas previamente, “antes da subida os tatuados escolheram os desenhos” explica, “depois colocámos nos tamanhos certos, prontos a serem transferidos para a pele e levámos connosco um kit com todo o material necessário”. No topo do Pico foram tatuados Belim Raposo; Renato Goulart, “um dos guias mais emblemáticos da montanha” e Fernanda Furtado, “cliente e amiga de longa data”.

Apesar da pandemia ter imposto uma nova realidade, a tatuadora terceirense garante que “as pessoas continuam a tatuar-se como antes e não demonstram receios”. Diana Gomes referiu ainda que quem decide tatuar-se fá-lo porque “sente a necessidade de gravar na pele sentimentos de forma gráfica. Sentir às vezes não é suficiente, mas transcrevê-lo para um desenho traz bem-estar. Eterniza-se um momento, uma passagem na vida. É muito pessoal” concluiu.




 
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