Rebeldes filipinos usaram Internet e SMS para tentar revolução popular


 

Lusa / AO online   Internacional   29 de Nov de 2007, 14:51

Os militares rebeldes que ocuparam um hotel de Manila recorreram à Internet e a mensagens por telemóvel para tentar um revolta popular e das Forças Armadas contra a presidente filipina, Gloria Macapagal-Arroyo.
Num "site" na Internet, os cerca de 30 rebeldes liderados pelo senador António Trillanes e pelo brigadeiro-general Danilo Lim apelaram para que os filipinos convergissem no centro de Manila para apoiar o derrube da presidente e a formação de um novo governo.

"É tempo de acabar com os sofrimentos e misérias que nos foram infligidos pelo governo ilegítimo de Gloria Macapagal-Arroyo e de começar uma vida nova e umas novas Filipinas", proclamaram os rebeldes no "site".

Jornalistas em Manila disseram que os rebeldes também tentaram mobilizar uma manifestação contra o governo da presidente Gloria Macapagal-Arroyo através de SMS, mas sem sucesso.

Algumas pessoas chegaram a concentrar-se nas imediações do hotel Península em Makati, o centro financeiro de Manila, onde os rebeldes se tinham barricado, mas foram controlados pela polícia.

A presença de muitos jornalistas no interior do hotel permitiu igualmente aos rebeldes difundirem as suas mensagens em directo pelas televisões e rádios, incluindo o anúncio de que iriam render-se.

Aparentemente, a ideia dos revoltosos seria conseguir mobilizar uma revolução popular como as que levaram ao afastamento dos presidentes Ferdinand Marcos, em 1986, e Joseph Estrada, em 2001.

Estes levantamentos populares também são conhecidos nas Filipinas por Revolução EDSA (abreviatura em inglês de Avenida Epifanio de los Santos, a maior via circundante da capital Manila) e tiveram o apoio da Igreja Católica filipina.

Os rebeldes divulgaram no "site" que os bispos Tobias e Labayen, bem como o antigo vice-presidente Teofisto Guingona e o ex-chefe da Polícia Nacional general Ramon Montano, se lhes tinham juntado no hotel Peninsula.

Desde a queda do ditador Ferdinand Marcos em 1986, as Filipinas conheceram pelo menos sete tentativas de golpe de Estado e as Forças Armadas têm mantido um papel central na vida política do país.

Gloria Macapagal-Arroyo, 60 anos, sucedeu a Joseph Estrada, de quem era vice-presidente, e foi eleita para um mandato de seis anos nas eleições realizadas em 2004.

No entanto, tem sido acusada de ter manipulado as eleições que lhe permitiram tornar-se a 14ª presidente das Filipinas, a segunda mulher a ocupar o cargo depois de Corazon Aquino (1986-1992).

Os acontecimentos de hoje em Manila ocorreram um mês depois de Arroyo ter concedido ao seu antecessor e ex-estrela de cinema Joseph Estrada um perdão presidencial devido a acusações de corrupção.

Os próprios militares rebeldes que hoje ocuparam o hotel Península, e que se renderam ao fim de cerca de cinco horas, estavam a ser julgados por envolvimento numa tentativa de golpe de Estado em 2003.

Com uma população estimada em mais de 88 milhões de pessoas, maioritariamente católicas, as Filipinas são um arquipélago de mais de sete mil ilhas situado no Sueste da Ásia que esteve sob domínio espanhol entre o século XVI e o final do século XIX.

O nome do país evoca Filipe II de Espanha, em cujo reinado se iniciou a colonização do arquipélago.

Ao serviço de Espanha, o navegador português Fernão de Magalhães foi o primeiro europeu a chegar ao arquipélago, em 1521, onde foi morto por guerreiros da ilha Mactan liderados por Lapu-Lapu, o primeiro herói nacional filipino, num episódio retratado num quadro a óleo exibido no palácio presidencial de Malacanang, em Manila.

Os dirigentes filipinos chegaram a proclamar a independência em 1898, mas os Estados Unidos passaram a controlar o país na sequência da sua vitória na guerra hispano-americana, iniciada em Cuba.

Durante a II Guerra Mundial, as Filipinas estiveram sob ocupação japonesa até 1945, tendo os Estados Unidos concedido a independência a 4 de Julho de 1946.

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