Exames nacionais

Rankings das escolas valem o que valem


 

Lusa/AOonline   Nacional   29 de Out de 2008, 16:43

A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) desvalorizou a divulgação dos "rankings" dos estabelecimentos de ensino com melhores resultados nos exames, sublinhando a importância de conhecer o meio social onde cada escola está inserida ou as metodologias de trabalho adoptadas.
"Estes 'rankings' valem o que valem. Têm de ser vistos com prudência porque são apenas tidos em conta os resultados escolares e mais nada, mas a educação não é apenas resultados escolares", afirmou o presidente da Confap, Albino Almeida, em declarações à Agência Lusa.

    Tal como muitos especialistas têm defendido, o responsável concorda que poderiam existir muitas mais vantagens com a divulgação destas classificações se fossem tidos em conta determinados factores como "a origem social dos alunos, o meio em que a escola está inserida, a forma de organização do trabalho lectivo e não lectivo e que tipo de metodologias são accionadas no apoio aos alunos com dificuldades de aprendizagem".

    "É tão dificil uma escola passar de uma média de sete para dez como é dificil uma escola manter sempre uma média elevada", acrescentou.

    Manifestando-se "preocupado" pelo facto de nenhuma escola pública surgir entre os dez estabelecimentos de ensino com melhor média nos exames nacionais do secundário, Albino Almeida mostrou-se confiante que os resultados seriam "bem diferentes" se aqueles critérios fossem tidos em conta.

    Sublinha ainda que os pais "desresponsabilizam por completo" os professores pela prestação das escolas públicas, sobretudo porque "docentes do público e do privado" são formados pelas mesmas instituições. Por outro lado, salienta que as escolas públicas começam agora a ter formas semelhantes às privadas no que toca à organização do trabalho, sobretudo "dinamizadas" por iniciativas levados a cabo pelo Ministério da Educação, como o Plano de Acção Para a Matemática, o Plano Nacional de Leitura ou a Formação Contínua.

    "Além disso, as escolas privadas fazem uma selecção tendo em conta a carteira dos pais. Os alunos nestas escolas têm normalmente mais condições de apoio na rectaguarda da família: os pais têm uma literacia superior e os filhos têm mais facilmente acesso a materias de apoio", exemplificou.

    Para Albino Almeida, os exames nacionais são feitos em Portugal para excluir no acesso às universidades, mas a avaliação deveria ser feita para conhecer: "é necessário espreitar para além dos números", reiterou.

    Já a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) "lamenta" a ausência de escolas públicas entre os dez estabelecimentos de ensino com melhores notas nos exames nacionais do secundário, classificando a situação como "preocupante".

    "Para a CNIPE esta importante constatação vai de encontro à exigência que a Confederação tem vindo a fazer no sentido de serem criadas nas escolas públicas as melhores condições para um efectivo ensino de qualidade", afirma a confederação, em comunicado.

    A CNIPE sublinha ainda a necessidade de serem contratados professores para acompanhamento especifico dos alunos que tenham chumbado a determinada disciplina e, caso se justifique, seja mesmo criada uma turma especial para ministrar esse acompanhamento.

    "Esta medida terá certamente consequências positivas no aproveitamento desses alunos, com incidência na evolução dos resultados finais da escola e também, naturalmente, nas preocupações dos próprios pais que assim não serão obrigados a dispender tanto esforço financeiro", acrescenta a Confederação.

    Quase 90 por cento das escolas alcançaram média positiva na primeira fase dos exames nacionais do secundário, um resultado muito superior ao registado em 2007, quando só 66 por cento dos estabelecimentos de ensino ultrapassaram os 9,5 valores.

    Segundo especialistas contactados pela Lusa, as escolas públicas arriscam-se a ficar destinadas quase exclusivamente às classes mais desfavorecidas, graças ao contributo da divulgação dos 'rankings' dos estabelecimentos com melhores resultados, que levam os pais a querer colocar os filhos em instituições privadas,

    "Um dos problemas da divulgação dos 'rankings' pode ser o de servir de base à escolha dos pais, transferindo muitos alunos para o privado", considera Rui Trindade, especialista em ciências da educação da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto.

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