Reino Unido

Gordon Brown deverá remodelar governo

Gordon Brown deverá remodelar governo

 

Lusa / AO Online   Internacional   24 de Set de 2008, 19:19

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, mudou de tom e procura relançar a enfraquecida imagem do seu governo através de uma remodelação ministerial na sequência da demissão de hoje da ministra dos Transportes.
    Após enfrentar os seus detractores com um confiante discurso na conferência anual do Partido Trabalhista (Labour), Gordon Brown planeia efectuar uma remodelação do seu executivo que cative os eleitores.

    A demissão da ministra dos Transportes, Ruth Kelly, invocando razões familiares, dá a Gordon Brown a primeira oportunidade para remodelar o seu governo.

    A ex-ministra dos Transportes rejeitou divergências com o primeiro-ministro e classificou Brown como uma "figura eminente da política britânica".

    Kelly insistiu não fazer parte dos rebeldes do Partido Trabalhista que requerem a demissão de Gordon Brown.

    Recorde-se que Ruth Kelly, uma católica, já antes havia sido crítica quantos aos planos de Brown em autorizar cientistas no uso de células humanas para pesquisa.

    Brown também planeia reunir as responsabilidades quanto à Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte numa única pasta - e abandonar os actuais três cargos diferentes.

    Mas o especialista em sondagens Anthony Wells, afirma que uma remodelação do governo trabalhista não ajudará Brown nas pesquisas de opinião - em especial porque a maioria dos ministros nem sequer são reconhecidos pelo público.

    "O público apenas reconhece quatro membros do Governo, daí que uma remodelação não tenha o mesmo impacto que um discurso seu", disse Wells. "Uma reformulação raramente dá ao líder um estímulo."

    Brown no seu discurso de terça-feira na convenção anual dos trabalhistas, mostrou uma faceta mais descontraída e humilde, o que contraria a sua imagem pública de político pouco caloroso.

    O discurso de Brown revelou algumas medidas na área da educação, da saúde e da segurança social e foi considerado positivo pela imprensa e pelos militantes do partido.

    Wells afirma que a reacção do público ao discurso de Gordon Brown, segundo pesquisas de opinião já efectuadas, é positiva.

    Com um sorriso aparentemente genuíno, Brown questionou a experiência dos seus jovens rivais - o líder do Partido Conservador David Cameron e David Miliband, potencial opositor de Brown no próprio Labour.

    O discurso assertivo de Brown foi igualmente pautado por outras surpresas - as palavras de Brown foram auto-irónicas e admitiu erros, como no caso do imposto dos dez por cento, que em alguns casos penalizava pessoas com rendimentos mais baixos.

    A sua mulher, Sarah, que usualmente permanece na sombra, surgiu em palco e apresentou Gordon Brown.

    O Daily Mirror, tablóide inglês, considera que Sarah ajudou o marido a mostrar o seu lado mais bondoso.

    Alguns dos seus apoiantes apelam agora a Brown que transforme o seu Gabinete num estilo similar ao seu discurso.

    "Brown tem boas pessoas junto dele, mas tem de colocá-las nas posições certas", considera Alex Hilton, membro activo do Labour, que já se assumiu como candidato nas próximas eleições do partido.

    Hilton considera que várias figuras do governo podem ser vítimas da remodelação de Brown, incluindo Alistair Darling, ministro das Finanças.

    Mesmo David Miliband, figura emergente do Labour, segundo Hilton, pode ser destituído de ministro dos Negócios Estrangeiros.

    A provável nova equipa de Brown vai enfrentar o seu primeiro teste nas eleições especiais em Glenrothes (Escócia), que deverão ter lugar em Novembro.

    O Scottish National Party (partido separatista) derrotou o Partido Trabalhista na eleição de Glasgow em Julho e lidera as sondagens de opinião em Glenrothes.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.