Conferência Manufuture 2007

Universidades/Empresas registam grande sucesso


 

Lusa / AO online   Nacional   4 de Dez de 2007, 16:40

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior destacou o "enorme progresso" registado em Portugal na relação universidades/empresas, mas salientou que, apesar de estarem criadas as condições para uma efectiva cooperação, os resultados não são imediatos.
"São precisas regras de mercado que promovam a investigação empresarial e condições legais apropriadas para uma cooperação sem restrições entre os sectores público e privado", afirmou Mariano Gago, considerando que "estas condições existem hoje em Portugal".
Contudo, afirmou em conferência de imprensa no final da conferência Manufuture 2007, que hoje terminou no Porto, os resultados não se produzem por receita médica, mas por persistência de medidas".
Neste âmbito, o ministro considerou essencial o recente aperfeiçoamento, pelo Governo, de métodos de avaliação independente dos sistemas de investigação financiados por dinheiros públicos, de forma a "separar o trigo do joio".
Paralelamente, destacou a importância do investimento na formação de pessoas, "senão não há massa crítica por onde escolher".
"Para Portugal foi, também, essencial o encorajamento, e a quase obrigatoriedade, de criação de parcerias entre as instituições de investigação", sustentou Mariano Gago.
Ainda assim, o ministro admitiu existir ainda em Portugal, consoante os sectores em causa, uma "diversidade enorme" de situações no que concerne à relação universidade/empresas.
"Nas grandes universidades mais técnicas a colaboração com a indústria nacional e até de outros países é intensíssima, registou-se um enorme progresso que vem dos dois lados, quer das universidades, quer das empresas", sustentou.
A prová-lo, considerou, está o crescimento da investigação e desenvolvimento empresarial, "que na última década foi explosivo, em grande parte devido às pessoas que foram qualificadas e ao ambiente de mercado e de negócio que se gerou".
É que, admitiu, "durante muitos anos em Portugal quase não havia pessoas em quantidade e qualidade suficientes para resolver os problemas a nível da investigação, tendo que se recorrer a investigadores de fora do país", mas actualmente "a situação mudou radicalmente".
Apesar desta evolução, o empresário Belmiro de Azevedo, presidente do Industrial Advisory Group da plataforma europeia Manufuture, considerou haver ainda "falta de comunicação entre as universidades e a indústria".
"Muitas vezes as pessoas, nas empresas, não querem formular questões às universidades", disse, atribuindo estas reservas à "falta de profissionais de investigação na indústria", que contrasta com o "excesso de doutorados nas universidades".
Um desequilíbrio que, para o empresário, se resolveria com a "transferência de alguns [investigadores] da academia para a indústria", onde seriam "bons comunicadores" entre os dois mundos.
Integrada na Presidência Portuguesa da União Europeia, a conferência Manufuture 2007 debateu os desafios da indústria transformadora europeia no actual contexto de competição global e analisou a primeira fase de execução do 7º Programa Quadro para Invesgigação e Desenvolvimento da União nas áreas da Ciência e Tecnologia.
O encontro, que decorreu segunda-feira e hoje, no Porto, contou com a presença do vice-presidente para a investigação do grupo Daimler, Heinrich Flegel, do vice-presidente do Banco Europeu de Investimento, Carlos Costa, e de investigadores das universidades de Hong Kong (Mitchell Tseng) e da Pensilvânia (James Thompson), para além do Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa, Carlos Zorrinho, e do ministro Mariano Gago.
O evento incluiu ainda um conjunto de 'workshops' acolhidos por empresas portuguesas líderes nos seus sectores, em que foram apresentados casos de sucesso nacionais e de outros países europeus e debatidos desafios e propostas de acção.

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