Projecto "Eficiência Energética em Edifícios"

Tecnologia permite redução drástica de consumo energético dos edifícios

Tecnologia permite redução drástica de consumo energético dos edifícios

 

Lusa / AO online   Economia   29 de Nov de 2007, 16:07

A tecnologia actualmente disponível permite reduzir drasticamente o consumo energético dos edifícios e emissões de dióxido de carbono, mas as falhas de mercado e barreiras comportamentais impedem ainda o "consumo zero de energia", conclui um estudo divulgado esta quinta-feira.
"Todos os participantes podem reduzir imediatamente a procura de energia mundial e reduzir as emissões de carbono, utilizando as tecnologias e o conhecimento que hoje estão disponíveis", conclui o relatório do primeiro ano do projecto "Eficiência Energética em Edifícios (EEE)" do World Business Council for Sustainable Development, co-produzido pela Lafarge e a United Technologies, hoje divulgado.

O projecto EEE abrange 6 países ou regiões que são em conjunto responsáveis por dois terços da procura de energia a nível mundial, incluindo países desenvolvidos e em desenvolvimento e uma variedade de climas: Brasil, Europa, Índia, Japão e Estados Unidos e foi efectuado por dez empresas, reflectindo mais de 100 mil milhões de metros quadrados de espaço.

Partindo do facto de que os edifícios são responsáveis por pelo menos 40 por cento do consumo de energia na maioria dos países, o estudo considera "essencial agir agora" e ultrapassar "de imediato" as barreiras do comportamento.

A "alavanca para a mudança", sublinha, implica "políticas e regulamentações apropriadas para garantir que as condições certas estão reunidas para o mercado trabalhar com eficácia".

Para tal, é necessário o apoio à interdependência, a valorização da energia, desenvolvendo incentivos, novos relacionamentos comerciais, mecanismos financeiros e informação maia clara acerca do desempenho energético dos edifícios, e a transformação de comportamentos, educando e motivando os profissionais envolvidos no sector para alterar o seu rumo para uma eficiência energética nos edifícios.

O relatório indica que os três "elementos-chave" para atingir a energia zero são a utilização de menos energia, utilizando por exemplo equipamentos mais eficientes, a produção local de energia, a partir de fontes renováveis, e a partilha da energia excedente, através de redes inteligentes.

Além disso, o documento salienta também que apesar da existência de riscos operacionais e de mercado, "também existem oportunidades para as empresas".

"Vai existir uma procura muito grande de eficiência energética, mas o 'timing' e a proposta de valor são incertos. As empresas que entram no mercado de eficiência em edifícios poderão ganhar vantagens por serem os primeiros", alerta.

Por outro lado, o estudo encontrou nos profissionais do sector "grandes níveis de consciência" relativamente à construção sustentável, mas "baixos níveis de conhecimento" específico e envolvimento, sendo a falta de informação, de liderança, de conhecimento e de experiência as principais barreiras à sua implementação.

Os profissionais da construção tendem a subestimar a contribuição da energia dos edifícios para as alterações climáticas e a sobrestimar os custos para a poupança de energia, normalmente abaixo dos 5 por cento nos países desenvolvidos, apesar de ser possivelmente mais alto na China, Brasil e Índia, explica o documento.

Além disso, salienta, apenas 13 por cento dos inquiridos já este envolvido na construção sustentável, apesar deste cenário variar entre os 45 por cento na Alemanha e apenas 5 por cento na Índia e de 20 por cento entre os promotores e apenas 9 por cento entre proprietários e inquilinos.

Segundo o relatório, a indústria da construção e o mercado são ainda "altamente complexos", pelo que vão ser necessárias diferentes abordagens para segmentos e sub-sectores também diferentes, como os escritórios, hospitais, comércio, apartamentos e vivendas que podem ter características particulares.

Nesta primeira fase, em 2007, o estudo teve como objectivo, a compreensão das barreiras existentes e a análise de cenários e caminhos para edifícios de consumo de energia zero. Na segunda fase, ainda este ano, o estudo vai avaliar as alterações necessárias na política, tecnologia, financiamento e comportamentos que têm impacte nos resultados dos modelos de negócio.

Na terceira fase, já em 2008, será efectuado um plano de acção preliminar que salienta as acções críticas a tomar em cada sector da construção da cadeia de valor e, por fim, na última fase, em 2009, o estudo visa a concretização do plano de acção pelas diversas partes interessadas no sector da construção - empresas, proprietários, reguladores, fornecedores de energia e abastecedores de produtos e serviços.

O World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) é uma coligação de 180 empresas internacionais, com o compromisso partilhado para com o desenvolvimento sustentável através de três pilares: crescimento económico, equilíbrio ecológico e progresso social.

O estudo foi hoje apresentado pelo BCSD Portugal - Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, uma associação sem fins lucrativos, criada em Outubro de 2001, por iniciativa das empresas Sonae, Cimpor e Soporcel, associadas ao WBCSD.

A missão principal do BCSD Portugal é fazer com que a liderança empresarial seja catalisadora de uma mudança rumo ao desenvolvimento sustentável e promover nas empresas a eco-eficiência, a inovação e a responsabilidade social.

A constituição do Grupo de Trabalho Construção Sustentável do BCSD Portugal, teve início em Janeiro de 2006 e incluiu diversas empresa portuguesas.
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