Dia Mundial da Alimentação

O fenómeno da sopa


 

Lusa/AO Online   Nacional   15 de Out de 2009, 07:09

Depois dos holandeses, os portugueses são os maiores consumidores de sopa na Europa, o que explica o sucesso da Loja das Sopas, criada em 1998 por um português e hoje nas mãos de uma multinacional de origem espanhola.

A multinacional tem outras marcas, mas esta continua exclusiva de Portugal, disse à agência Lusa o director da marca, Lorenzo Herrero, segundo o qual a sopa é um elemento "super importante" na gastronomia portuguesa e que necessitaria de uma adaptação "mais difícil" a outros mercados.

Segundo o mesmo responsável, os portugueses estão em terceiro lugar a nível mundial no consumo de litros de sopa por pessoa, numa tabela liderada pelos chineses, seguidos dos holandeses.

Vendida aos espanhóis em 2003, a empresa tem hoje 46 pontos de venda, dos quais 12 são próprios e os restantes franchisados.

"É a quinta maior cadeia em número de lojas no mercado português. Estamos bastante satisfeitos, continuamos a crescer a um ritmo de quatro a cinco restaurantes por ano", afirmou.

As lojas oferecem seis a cinco sopas diariamente. "Há três que são fixas: a sopa da pedra, a juliana de legumes e a sopa rica do mar", indicou Lorenzo Herrero, referindo que a ideia é ter sempre um prato de carne, um de legumes e um de peixe.

As restantes sopas variam semanalmente e de acordo com a época do ano, "dentro de um leque de mais de 200 receitas".

Apesar do sucesso em Portugal, a empresa não tem planos de internacionalização da marca a curto prazo: "Não quer dizer que não seja possível, mas qualquer conceito precisa de uma adaptação. A sopa dentro da cultura portuguesa tem uma importância maior do que nos outros países".

Numa análise de mercado, constata que há produtos na restauração que são globais, mas outros têm muito a ver com as raízes culturais.

"Toda a gente come um hambúrguer, uma massa, uma pizza, mas a sopa tem de ser adaptada. As pessoas quando se alimentam são muito regionalistas", sublinhou.

As tapas, por exemplo, um conceito "muito espanhol", não vingaram em Portugal. "O português quando quer comer tapas vai a Espanha", atestou, referindo que aqui há os petiscos, mas "são diferentes".

"Em Espanha e outros países, o conceito de primeiro e segundo prato é normal. Aqui, o conceito de menu é um prato, uma bebida e uma sobremesa. A sopa é um complemento", acrescentou.

"São costumes, todos os mercados são diferentes. Mesmo com o fenómeno da globalização, na hora de se alimentar, as pessoas defendem mais as suas raízes", observou.

Confessando não gostar da palavra "crise", Lorenzo Herrero indicou que mesmo nesta altura a empresa continua a ter "oportunidades de expansão", com convites para abrir lojas em novos centros.


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