Eletricidade dos Açores apela a tranquilidade de trabalhadores de empresas a privatizar

O presidente do Conselho de Administração da Empresa de Eletricidade dos Açores (EDA) apelou à tranquilidade dos cerca de 135 trabalhadores da GlobalEDA e da SEGMA, empresas do Grupo EDA, que o Governo Regional decidiu alienar



“Nós temos tido o cuidado de esclarecer os trabalhadores e as suas estruturas sindicais, porque temos de manter as pessoas focadas no dia a dia - o que é importante - e temos também de tranquilizá-las em relação a este processo”, disse o administrador da elétrica açoriana, Paulo André, durante uma audição na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa dos Açores, reunida em Ponta Delgada.

Segundo Paulo André, os 77 funcionários da GlobalEDA e os 58 da SEGMA sabem que, apesar da alienação que já está em curso, “há perspetivas de haver um relacionamento de negócios” entre aquelas empresas e o Grupo EDA, no futuro.

O Governo dos Açores, liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, aprovou, em novembro de 2025, uma resolução que autoriza as empresas EDA e EDA Renováveis, a iniciar o procedimento de alienação das participações sociais detidas na SEGMA – Serviços de Engenharia, Gestão e Manutenção e na GlobalEDA – Telecomunicações e Gestão de Sistemas de Informação.

“Foi realizado um estudo de avaliação do interesse e viabilidade da operação de alienação das participações sociais em causa, na perspetiva da maximização do valor para a EDA e, bem assim, da salvaguarda do futuro destas empresas e dos seus trabalhadores, tendo-se concluído e demonstrado que a alienação das referidas participações sociais é a opção mais adequada e vantajosa e, igualmente, viável”, justificou, na altura, o executivo de coligação.

De acordo com o caderno de encargos da alienação, que está ainda a ser elaborado, a privatização deverá incluir uma cláusula que impõe a obrigação de o adquirente não proceder a despedimentos coletivos, nem à extinção de postos de trabalho, durante um período predefinido, bem como a obrigação de manter a localização da sede da empresa na Região, também nesse período.

O presidente do Conselho de Administração da EDA, ouvido pelos deputados a propósito de uma proposta do Chega, que defende a privatização de várias empresas públicas regionais, disse que a EDA Renováveis não figura entre as empresas do Grupo EDA a alienar, por estar a realizar “avultados investimentos” na Região, apesar de admitir que seria uma empresa “muito atrativa” para os privados.

“Eu recordo que é uma empresa que fez recentemente um investimento na ilha do Corvo, de mais de 5 milhões de euros, através do PRR, que teve uma comparticipação de 3,5 milhões de fundos comunitários, e eu não sei se empresas privadas fariam este tipo de investimento”, advertiu Paulo André, adiantando que a EDA Renováveis é uma empresa com “apetência para ser adquirida pelo mercado”, mas não a qualquer preço.

O Grupo EDA tem previstos investimentos de 450 milhões de euros nos Açores, nos próximos anos, 115 milhões dos quais em energias renováveis (parques fotovoltaicos, energia hídrica e geotérmica), e também na aquisição de baterias de armazenamento, no sentido de reduzir substancialmente a dependência de energias fósseis no arquipélago.

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