Sindicato alerta para “abandono silencioso” da PSP nos Açores

O Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) nos Açores alertou para o “abandono silencioso” da PSP na região, sublinhando o “défice crónico” de efetivos e a “gritante disparidade de prioridades políticas na gestão da segurança pública em Portugal”



O sindicato apontou como exemplo recente o anúncio do reforço de novos agentes para a Polícia Municipal do Porto e o envio de um contingente extra de elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) para o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, para gestão de fluxos de passageiros.

"Enquanto o território continental beneficia de reforços musculados, os Açores enfrentam um défice crónico de efetivos que compromete a operacionalidade básica e a segurança das populações. O abismo entre o continente e a Região Autónoma é hoje mais evidente do que nunca", considerou o sindicato em comunicado assinado pelo presidente do SINAPOL-Açores, António Santos.

Segundo o sindicato, nos Açores "os anúncios políticos não passam de intenções sem qualquer tipo de concretização, apesar dos apelos transversais de todo o espetro político por um reforço imediato", lamentando que a região esteja "remetida ao esquecimento estrutural".

De acordo com o SINAPOL, a realidade no terreno "é crítica" nos Açores, onde o contingente regional representa "apenas cerca de 5% do efetivo total da PSP".

Por outro lado, o sindicato chamou a atenção para o facto de as esquadras estarem “a operar no limite da exaustão", com impacto na fiscalização rodoviária e o policiamento de visibilidade.

O SINAPOL sublinhou que "o esforço" dos agentes permitiu operações de sucesso em 2025, mas alertou que "a falta de meios humanos torna a prevenção rodoviária e criminal insustentável a longo prazo".

O sindicato questionou por que razão "a agilidade política demonstrada para resolver filas em aeroportos ou reforçar autarquias no continente não se aplica à continuidade territorial".

"A segurança é um direito fundamental, quer se viva na Avenida dos Aliados ou numa freguesia da ilha do Corvo. Ignorar a urgência de preencher as vagas no Comando Regional dos Açores é aceitar que existem cidadãos de primeira e de segunda no acesso à proteção do Estado", sublinhou.

Para 2026, o SINAPOL-Açores assegurou que "não reclama privilégios, mas sim equidade".

"A segurança dos açorianos não pode continuar a ser sacrificada em nome de conveniências políticas de grandes centros urbanos", acrescentou o SINAPOL-Açores.


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