Mais de 20 mil crianças morrem anualmente nos países da OCDE

Mais de 20 mil crianças morrem anualmente nos países da OCDE

 

Lusa / AO online   Internacional   31 de Out de 2007, 15:01

Mais de 20 mil crianças morrem anualmente nos países da OCDE, 3.500 das quais vítimas de maus-tratos, segundo um relatório da Unicef que se debruça sobre o bem-estar das crianças e dos jovens nas economias mais avançadas do mundo.
Espanha, Grécia, Itália, Irlanda e Noruega tem as mais baixas taxas de mortalidade infantil por maus-tratos.

Além dos maus-tratos, os acidentes de viação, o afogamento, as quedas, os incêndios e os envenenamentos são as principais causas de morte.

A versão portuguesa do documento da Unicef divulgado em Fevereiro será apresentada hoje na reunião do grupo permanente Intergovernamental "Europe de l´Enfance" realizada no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia.

Segundo o relatório, a ausência de definições comuns e dados comparáveis têm impedido a inclusão de outros dois indicadores importantes, como a saúde mental e emocional, os abusos e a negligência sobre crianças.

Contudo o documento refere que os factores de risco mais associados aos abusos e negligência de crianças são a pobreza, o stress, a toxicodependência e o alcoolismo dos pais.

Produzido pelo Centro de Pesquisa Innocenti da UNICEF em Florença, com base nos melhores dados disponíveis nos 21 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, o relatório mede e compara o bem-estar da criança.

Em análise esteve o bem-estar material, saúde e segurança, educação, relacionamento com a família e os pares, comportamentos e riscos e a noção subjectiva de bem-estar dos próprios jovens.

O objectivo é traçar um quadro geral sobre o bem-estar da criança.

Este estudo inovador revela que em todos os países ricos há melhorias a fazer relativamente ao bem-estar das crianças e jovens.

No capítulo dedicado à segurança e saúde infantil, os países europeus ocupam a metade superior da tabela, com os quatro países nórdicos (Suécia, Islândia, Finlândia, e Dinamarca) e a Holanda nos cinco primeiros lugares.

No que se refere ao bem-estar material das crianças, o documento revela que as taxas mais baixas de pobreza (inferior a 5 por cento) foram conseguidas pelos quatro países nórdicos (Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca)
Nove países - todos no Norte da Europa - registaram um decréscimo das taxas de pobreza infantil relativa abaixo dos 10 por cento, enquanto três países do sul da Europa (Portugal, Espanha e Itália) registam uma taxa acima dos 15 por cento, assim como os países anglófonos (EUA, Reino Unido e Irlanda).

Relativamente ao bem-estar educativo, o documento indica que a Bélgica e o Canadá lideram a tabela, enquanto quatro países do Sul europeu - Grécia, Itália, Espanha e Portugal - ocupam os quatro lugares do fim da tabela.

A Noruega e a Dinamarca, que habitualmente sobressaem nas tabelas de indicadores sociais, encontram-se na 18ª e 19ª posições respectivamente.

As crianças que saem da escola e que não têm formação vocacional ou emprego correm indubitavelmente maior risco de exclusão e marginalização - uma consequência preocupante para os países do fundo da tabela - nomeadamente França e Itália.

O estudo utilizou ainda dados sobre a percentagem de crianças que vivem em famílias mono-parentais ou com famílias reconstituídas e que, a nível estatístico, permitem associar um maior ou menor risco para o seu bem-estar.

Em termos globais, cerca de 80 por cento das crianças nos países abrangidos por este estudo vivem com ambos os pais.

Mas a variação é significativa - de mais de 90 por cento na Grécia e na Itália a menos de 70 por cento no Reino Unido e 60 por cento nos EUA.

Quase dois terços das crianças tomam ainda a principal refeição do dia com as suas famílias, sendo a França e a Itália os países que mais preservam esta tradição.

A percentagem de crianças cujos pais dedicam tempo para "conversar com os filhos" várias vezes por semana varia entre cerca de 90 por cento na Hungria e Itália até menos de 50 por cento no Canadá e na Alemanha.

No que se refere ao relacionamento entre pares, 80 por cento das crianças suíças e portuguesas afirmam que são "simpáticos e prestáveis" enquanto este sentimento apenas é manifestado por 50 por cento das crianças da República Checa e do Reino Unido.

Relativamente a comportamentos de risco dos jovens, menos de 15 por cento afirmaram ter-se embriagado em duas ou mais ocasiões.

Na Holanda o número sobe para mais de um quarto e no Reino Unido para perto de um terço.

Em 18 dos 21 países analisados, a proporção dos jovens que estiveram envolvidos em brigas nos 12 meses anteriores ao inquérito é superior a um terço, com oscilações que vão de menos de 30 por cento na Finlândia e na Alemanha a mais de 45 por cento na República Checa e na Hungria.

A prevalência de bullying oscila de modo mais acentuado, com cerca de 15 por cento das crianças reportando terem sido vítimas de bullying na Suécia e na República Checa e mais de 40 por cento na Suíça, Áustria e Portugal.

A percentagem de jovens (com 11, 13 e 15 anos) que afirmam ter fumado cigarros pelos menos uma vez por semana varia de 6 por cento na Grécia a 16 por cento na Alemanha.

Já no que respeita ao uso de cannabis, a percentagem dos jovens (com 11, 13 e 15 anos) que afirmam ter usado apresenta variações ainda mais acentuadas, desde menos de 5 por cento na Grécia e na Suécia a mais de 35 por cento no Reino Unido, Suíça e Canadá.

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