O músico Frank Malachi vai participar numa campanha de angariação de fundos em parceria com a War Child, organização internacional de apoio a crianças em zonas de conflito, no âmbito do lançamento do seu mais recente álbum, “They:Dog”.
“Eu achei que era uma campanha não só fantástica, porque tematicamente se liga imensamente bem aos temas explorados no álbum, mas também porque é uma campanha que acho muito digna. Não teria qualquer reserva em ver o meu álbum associado a este tipo de campanha”, realça em entrevista ao Açoriano Oriental.
O artista recordou que o álbum “They:Dog” teve origem em 2020, numa residência artística na ilha de São Miguel, então intitulado “How to Walk On All Fours”, focado na exploração da arquitetura e sonoridade de igrejas açorianas dos séculos XVI e XVII. Recorrendo a um sistema de microfones tridimensionais de alta sensibilidade, Frank Malachi gravou sessões de seis a sete horas em espaços como a Igreja do Colégio e o Convento de Santo André do Museu Carlos Machado , a Igreja de Santa Ana e o CIAF - Centro de Interpretação Ambiental nas Furnas, captando não apenas a música, mas também a reverberação das paredes, o canto de pássaros, o ruído do trânsito e as fumarolas vulcânicas.
O resultado é um LP de 15 temas dividido em dois lados - “How to Run on All Fours” e “Unburying The Bone”-, acompanhado por um documentário intitulado “Where Water Go Life Will Follow”.
O próprio nome do álbum encerra um programa conceptual, uma vez que se inspira em provérbios e expressões idiomáticas em inglês e em português que utilizam a figura do cão para falar de amor, família, disputa ou guerra, desde “dog days are over” a “dias de cão”. Já a palavra “They” funciona como pronome não-binário, substituindo o “he” ou “she”, enquanto “Dog” foi escolhido por ser, em inglês, uma palavra sem género intrínseco. Os dois pontos que separam as palavras introduzem uma pergunta quase retórica sobre identidade, deixando o nome aberto a interpretação.
A campanha solidária associada ao lançamento deste álbum tem origem numa candidatura do artista ao festival Isle of Wight, em Inglaterra, promovido pela Hot Vox, onde Frank Malachi foi selecionado como um dos 30 finalistas para o palco emergente, entre cerca de 15 mil candidaturas. Apesar de apenas um artista ter sido escolhido para atuar no festival, a promotora estabeleceu uma parceria com a War Child para integrar os restantes finalistas numa iniciativa de solidariedade.
No âmbito do projeto, Frank Malachi vai gravar, a 13 de junho, um concerto em vídeo de aproximadamente 30 minutos, com cerca de seis canções, a disponibilizar na página oficial da campanha. A War Child criará uma página individualizada para cada artista, onde o público poderá realizar doações diretas.
O músico fixou um objetivo de angariação de 3.000 libras, valor significativamente acima das metas estabelecidas pela maioria dos outros participantes, que optaram por montantes entre 100 e 1.000 libras.
A campanha tem início público a 24 de junho, o vídeo da atuação será publicado a 1 de julho e a iniciativa encerra a 15 de julho.
O artista realça ainda a relação entre a War Child e o álbum “They:Dog” no qual inclui temas como conflito internacional, identidade política e a crise dos refugiados.
Nesse sentido, o artista explica que a canção “7,5 Billion Lives” aborda a “comparação quase entre o primeiro mundo e como a vida e a perceção da vida é vista de uma forma muito particular na Europa”, contrastando-a com cenários onde, devido à guerra, as prioridades se tornam as “necessidades básicas”, como a alimentação e a segurança.
“Há mesmo uma quadra que fala sobre crianças refugiadas de zonas de conflito, como por exemplo Gaza”, refere.
Esta é a primeira vez que Frank Malachi utiliza o seu nome pessoal e a sua música para liderar diretamente uma campanha de angariação de fundos, embora tenha colaborado anteriormente com organizações como o Refugee Council e a Mind.org.
“A campanha é muito próxima das minhas crenças e das coisas em que acredito e com as quais quero ver o meu nome associado”, conclui.
