“Numa ilha ultraperiférica como o Corvo, profundamente dependente de ligações externas para a mobilidade de pessoas, acesso à saúde, abastecimento, economia e funcionamento diário da comunidade, um voo cancelado não é um mero incómodo administrativo. É uma situação com consequências humanas, sociais, financeiras, económicas e de saúde pública extremamente graves”, referiu em comunicado o deputado único do PPM açoriano, João Mendonça.
O serviço operacional do aeródromo do Corvo é assegurado por um consórcio que envolve bombeiros de corporações de Madalena (Pico), Velas (São Jorge) e Santa Cruz da Graciosa e é presidido pela Associação Humanitária dos Bombeiros da Madalena.
Contactado pela agência Lusa, o presidente do consórcio, José António Amaral, esclareceu que a situação ficou a dever-se ao atraso no regresso de um operacional ao Corvo.
“O que aconteceu foi que existia um bombeiro que tinha ido para o continente para umas consultas [médicas]. Estava previsto chegar ontem [segunda-feira] ao Corvo e ontem tinha de sair mesmo um outro elemento do Corvo para o Pico. Aconteceu que esse bombeiro que vinha do continente, [porque] o avião atrasou, não apanhou o avião que foi para o Corvo ontem e o bombeiro que estava lá saiu”, relatou.
Assim, hoje, no Corvo, encontravam-se apenas quatro dos cinco elementos da equipa operacional.
A companhia aérea SATA “ainda tentou” junto da ANAC - Autoridade Nacional da Aviação Civil que o voo fosse autorizado, mas “não conseguiu obter resposta”, daí que o voo tenha sido cancelado, indicou.
Segundo a nota do PPM, os corvinos “já vivem sujeitos às limitações impostas pela ultraperiferia, pela dependência logística externa e pelas condições climatéricas adversas, fatores inevitáveis e impossíveis de controlar”, mas aquilo que aconteceu hoje “não foi inevitável”.
O PPM salientou que o sucedido não resulta do estado do tempo, nem de qualquer fenómeno natural imprevisível, mas, alegadamente, de “uma falha operacional grave, evitável e humana, associada à coordenação e gestão do serviço aeroportuário”.
Com a situação “ficaram prejudicadas deslocações hospitalares, consultas médicas, tratamentos e exames”, “ficaram comprometidos compromissos profissionais e pessoais inadiáveis” e passageiros perderam ligações nacionais e internacionais.
Ainda de acordo com o partido, “ficou igualmente prejudicado o normal abastecimento da própria ilha, comprometendo a chegada de mercadorias, encomendas, bens essenciais e correspondência, afetando diretamente comerciantes, serviços, empresas e a população em geral”.
Num território já “profundamente condicionado pelas dificuldades de transporte e pela dependência logística externa”, situações desta natureza, “agravam ainda mais a fragilidade do quotidiano dos corvinos”.
Assim, o PPM exigiu a “abertura imediata de averiguações” e o “apuramento integral das responsabilidades operacionais e hierárquicas”.
O partido defendeu ainda que devem existir “consequências imediatas para os responsáveis”, “medidas corretivas urgentes e permanentes”, a “avaliação integral dos prejuízos causados” e “garantias públicas de que uma situação desta natureza nunca mais se repetirá”.
O presidente do consórcio que assegura o serviço operacional do aeródromo do Corvo adiantou ainda à Lusa que o elemento em falta, que esteve na origem da situação, já foi num voo para a ilha das Flores e será transportado ainda hoje num semirrígido para o Corvo, estando “já está operacional” na quarta-feira.
Para que a situação “invulgar” não se repita, José António Amaral, preconizou que quando forem formados novos elementos dos bombeiros, “alguém [da corporação] do Corvo frequentasse essa formação”, pois assim já “não havia necessidade de deslocações”.
