“O tema é Autonomia: 50 anos. O que é a autonomia, o que é que nós sentimos enquanto açorianos, o que é que isso nos beneficiou? E fazermos uma análise sensata do que são os últimos 50 anos, enquanto região autónoma com nove ilhas, uma região que se quer com um crescimento sustentado e harmonioso”, afirmou, em declarações aos jornalistas, a diretora artística da companhia Cães do Mar, Ana Brum, à margem da apresentação da programação.
Este ano, o festival Rua Direita, que tem como tema "Nas asas do açor", decorre de 9 a 11 de julho e de 16 a 18 de julho, com espetáculos que se repetem ao longo do dia, em diferentes espaços da cidade de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Pensado em 2016, o festival arrancou em 2021, com financiamento da Direção-Geral das Artes, na rua que lhe dá nome, mas com o passar dos anos foi-se estendendo por outras artérias do centro histórico da cidade.
Todos os anos, a arte invade lojas, cafés e ruas de Angra do Heroísmo, em busca de novos públicos, que nem sempre são presença habitual em salas de espetáculos.
“O facto de alguém entrar para comprar um quilo de batatas numa loja e ser surpreendido por um espetáculo de dança ou de teatro, pode prender a pessoa, pode comunicar algo novo, algo que talvez a pessoa não estivesse à espera naquele preciso momento, e é um momento em que nós criamos uma ligação com o público”, salientou Ana Brum.
Em 2025, assistiram aos espetáculos da Rua Direita mais de 4.000 pessoas, entre locais e visitantes.
“As pessoas têm aderido muito ao projeto. De 2024 para 2025, nós quase que duplicámos o número de público. Foi um aumento muito substancial. Sentimos que cada vez mais pessoas que nós não costumávamos ver no festival começam a aparecer, a procurar, a experimentar”, apontou a diretora artística da Cães do Mar.
Este ano, a organização desafiou os criadores a pensar a autonomia dos Açores, que assinala 50 anos.
“Questionamos o que são estes últimos 50 anos de autonomia, o que nós ganhámos, o que nós poderemos ainda ganhar, de que forma é que isso nos beneficiou e de que forma é que isso nos poderia ter beneficiado ainda mais. É importante fazer perguntas, é importante pôr em causa as coisas e criar uma crítica construtiva àquilo que aconteceu no passado, para que os próximos 50 anos possam ser ainda melhores”, salientou Ana Brum.
Para além de grupos da ilha Terceira, a programação desta edição conta com a participação de artistas do continente e da ilha do Faial.
“Entendemos que é muito importante agilizar estes laços com outras associações, com outras estruturas de outras ilhas, especialmente num ano como este em que se fala de autonomia, de regime autonómico, de arquipélago, de relação entre ilhas”, disse a diretora artística da Cães do Mar.
A livraria Lar Doce Livro, que repete pelo terceiro ano a participação no festival, vai acolher o espetáculo “Uma arma na gaveta e outras aventuras”, um ciclo de canções dedicadas a acontecimentos que antecederam à Autonomia, interpretado por Felix the first.
Na Cervejaria Bela, que se estreia no festival Rua Direita, é apresentado o espetáculo de dança “Nove”, com Diana Rosa e Derek Nisbet, que presta homenagem às nove mulheres que fizeram parte do primeiro parlamento eleito nos Açores.
Na Loja das Molduras, Andreia Simões apresenta o monólogo “Um sonho de asas” e, no Pátio da Alfândega, Bianca Mendes apresenta o ‘storytelling’ interpretativo “Um verão quente”, ambos com direção de Peter Cann.
A Loja Basílio Simões, uma das mais emblemáticas da cidade, que é palco deste festival desde a primeira edição, recebe o espetáculo de dança e palavra “Tira-nódoas”, com a bailarina de Leiria Francisca Poças.
Nas varandas da Rua da Palha, é apresentado o espetáculo “Sobre o mar, sobre a terra”, com o grupo de teatro Matilha e o coro da Academia Musical da Ilha Terceira (AMIT).
O artista plástico Pantónio vai intervir em várias montras de lojas na cidade, que não foram reveladas, para que o público as possa descobrir.
Paralelamente, à noite, há ainda um espetáculo de música experimental e artes visuais com Trio Fragata e Pantónio, na Moagem Terceirense, e a instalação visual "Verdade Mista: Forças Subterrâneas”, de André Oliveira Carreiro, com curadoria da AvistaVulcão, da ilha do Faial, na Casa do Sal.
A “Loja do que eu Gosto” acolhe o debate “1976: Memórias do ano da Autonomia”, com Jorge Bruno, Nídia Inácio, José Calçada e Eulália Bendito e moderação de António Neves.
Com um orçamento de 50 mil euros, o festival é financiado pela Direção-Geral das Artes, pelo Governo Regional dos Açores e pelo município de Angra do Heroísmo.
