“A presença das Forças Armadas neste e noutros eventos de diversa natureza representa uma tradição enraizada ao longo de muitos anos, simbolizando a continuidade da relação histórica entre a instituição militar e a sociedade, além de contribuir para fortalecer os laços de confiança, respeito, proximidade e pertença entre os militares presentes na região e a população”, adiantou o Estado-Maior-General das Forças Armadas, numa resposta por escrito à Lusa.
Um dos pontos altos das festas do Santo Cristo, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, é a procissão da mudança da imagem, que decorre no sábado, no Campo de São Francisco.
Todos os anos a imagem, que sai pelas 16h30, passa em frente à guarda de honra prestada por uma companhia do Exército e pela Banda da Zona Militar dos Açores, com salva por uma corveta da Marinha, uma cerimónia que consta do programa oficial das festividades.
Num comunicado enviado à agência Lusa na quarta-feira, a Associação República e Laicidade contestou a participação das Forças Armadas nas celebrações do Santo Cristo, alegando que representava uma violação do princípio constitucional.
A associação disse ter enviado uma carta aos chefes de Estado Maior dos três ramos das Forças Armadas, afirmando que "a participação de forças militares em cerimónias religiosas, sejam de que religião forem, é manifestamente inconstitucional face ao princípio de separação, e infringe a liberdade de consciências dos militares que, mesmo que professando uma convicção religiosa, mantêm o direito de não participar em atos de culto".
O grupo apelou à "não concretização da participação das forças militares nas cerimónias religiosas" e revelou que "se tal se verificar irá recorrer às instituições estatais pertinentes que possam garantir o cumprimento da Constituição e da lei".
Questionado por escrito pela Lusa, o Estado-Maior General das Forças Armadas disse que “as Forças Armadas pautam a sua atuação por uma relação de proximidade e ligação permanente à sociedade, procurando marcar presença em momentos de particular relevância coletiva e elevada participação comunitária”.
Segundo o Estado-Maior General das Forças Armadas a participação institucional “em iniciativas de significativo impacto público” constitui “uma forma de reforçar a ligação entre os militares e a população, promovendo uma maior perceção do papel e da importância das Forças Armadas para o país e para os cidadãos”.
“A participação em eventos com enraizada tradição e amplamente mobilizadores das comunidades permite consolidar a ligação entre as Forças Armadas e a sociedade, evidenciando a importância e a relevância das Forças Armadas”, reforçou.
O provedor da Irmandade do Santo Cristo dos Milagres, Carlos Faria e Maia, disse à Lusa não ter conhecimento das cartas enviadas pela associação, sublinhando que a participação militar já se realiza "há muitos e muitos anos".
"A guarda de honra consta do programa habitual. É uma homenagem ao Senhor Santo Cristo que as Forças Armadas prestam", sustentou.
