Açoriano Oriental
Diocese de Angra assinala 489 anos com foco no reforço da participação na Igreja

Bispo irá apresentar o seu primeiro itinerário pastoral focado na auscultação dos órgãos regionais para traçar um “plano” para reforçar a participação na Igreja

Diocese de Angra assinala 489 anos com foco no reforço da participação na Igreja

Autor: Carolina Moreira

A Diocese de Angra celebra, na próxima sexta-feira, 489 anos, numa altura em que será também apresentado o primeiro itinerário pastoral do bispo D. Armando Esteves Domingues focado na auscultação dos diferentes órgãos regionais, com o intuito de traçar um “plano” para reforçar a participação dos “leigos” na Igreja.

A preocupação da Diocese foi manifestada numa nota publicada no sítio da Igreja Açores, onde o bispo afirma que irá apresentar o primeiro itinerário pastoral do seu episcopado no próximo dia 26 de novembro, adiantando que terá a duração de dois anos e que está a ser preparado a partir dos “contributos da Igreja diocesana no processo sinodal em curso”.

Numa carta, D. Armando Esteves Domingues adianta que este itinerário para 2023/24 será como “um tempo zero, marcado pela escuta e pela comunhão, sem pressa ou tentação de fazer tudo de repente”.

“Não iremos ter pressa nem pretender fazer tudo de repente. Começaremos por escolher os diversos órgãos de participação sinodal na diocese que queremos venham verdadeiramente a funcionar sinodalmente: Ouvidores, Conselho Presbiterial e Conselho, Pastoral Diocesano”, afirma, salientando a importância do reforço da participação e corresponsabilidade dos “leigos”.

“Onde não houver Conselho Pastoral Paroquial, seria tempo para o formar”, afirma ainda na carta consultada pelo sítio da Igreja Açores.

Segundo a nota, o bispo pretende traçar um “plano” que “parta das bases”, sugerindo que se “identifiquem necessidades e elejam uma ou outra prioridade, seja na formação laical e dos ministérios vários, na Liturgia, caridade, catequese ou outras”.

A nota de imprensa alerta que, dos “237 mil habitantes do arquipélago, cerca de 80% dos açorianos ou residentes nos Açores dizem professar a religião católica”, no entanto é “notória a redução da participação no culto, nomeadamente ao domingo bem como o envolvimento na vida religiosa, com um progressivo envelhecimento nos movimentos, serviços e irmandades”.

De acordo com o padre Hélio Soares, um dos responsáveis pelo grupo de trabalho criado pela Diocese, que está a escrever a história religiosa dos Açores, existem problemas que condicionam a atividade diocesana e que se prendem com a geografia.

“Cada ilha é uma mini diocese e por isso vive muito fechada sobre si própria. Os contactos com o exterior têm sido sempre muito condicionados e isso impede que, muitas vezes nos apercebamos de boas experiências que poderiam ser adotadas nos Açores” ao nível das diferentes pastorais, salienta.

“Aprendemos pouco com as experiências já realizadas. Existem experiências muito interessantes a nível nacional, não precisaríamos de inventar muito, bastaria transpormos para a realidade insular”, acrescenta ainda o sacerdote.

Ainda assim, a Igreja Açores destaca que a Diocese de Angra conta com um total de 165 paróquias e 22 curatos e dispõe de uma centena e meia de sacerdotes e seis diáconos permanentes, mobilizando “centenas de leigos nos vários movimentos e serviços da Igreja, a começar pela catequese, que é a dimensão pastoral que envolve mais pessoas, apesar de se ter registado uma quebra depois da pandemia, o que também teve implicações económicas severas, com algumas paróquias a enfrentarem dificuldades financeiras”.

Refira-se que, para assinalar os 489 anos da Diocese, está prevista a realização de duas celebrações em Ponta Delgada e em Angra nos dias 3 e 5 de novembro, respetivamente, pelas 18h00.


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