Circuito de exposições "Deambulação Identitária" inaugura hoje em Ponta Delgada


 

AO Online/ Lusa   Cultura e Social   6 de Jul de 2019, 20:46

O circuito de exposições “Deambulação Identitária” inaugura este sábado, um trajeto em que o trabalho de sete artistas se articula com a cidade de Ponta Delgada e que integra o programa do festival Walk & Talk.

Com curadoria de Sérgio Fazenda Rodrigues, o circuito “Deambulação Identitária” parte de “uma tentativa de repensar o que é a questão da identidade, tentando não celebrar aquilo que nos distingue, uma espécie de exclusão, mas sim repensar o que nos aproxima, repensar uma forma de inclusão e o que nos junta enquanto comunidade e enquanto pessoas”, adiantou o arquiteto à Lusa.

A ideia de deambulação “tem que ver com o trajeto traçado pela cidade de Ponta Delgada”, que inclui o trabalho de sete artistas, expostos em cinco espaços e permite questionar “como é que podemos pensar a identidade de uma forma ativa, movimentada”.

“Há diversos tipos de intervenção em que não somos nós que vamos ter com a exposição, é o trabalho que vem ter connosco e nos interpela na rua”, explicou Sérgio Fazenda Rodrigues.

No percurso traçado e nos trabalhos que nele se encontram há uma forte ligação com a cidade e o espaço onde se inserem, já que “é uma coisa feita especificamente para este local e pensada para este local”, partindo de três ideias que organizam os trabalhos dos diferentes artistas: disseminar, pontuar e agrupar.

O primeiro ponto explora “a ideia de como é que um trabalho existe num local e se propaga pela cidade para fora do espaço físico do lugar que ela está a ocupar” e nele cabe a intervenção da Maria Trabulo, na torre sineira da Câmara Municipal de Ponta Delgada, que se estende a um conjunto de leituras abertas ao público, a uma ação de disseminação em conjunto com a rádio e a um conjunto de cartazes que vão surgir no espaço público.

A artista trabalha “a dimensão política que existiu nos Açores no início do século XX, nomeadamente os deportados políticos que vinham do continente para as ilhas”, com textos poéticos escritos na altura.

“Dentro da lógica de disseminar existe também o trabalho da Rita GT: ela reinventa a ideia de procissão, repensa-a numa lógica de celebração do elemento feminino e constrói um percurso que vai da Câmara Municipal de Ponta Delgada até ao Museu Carlos Machado, onde tem em exposição um conjunto de obras, que dá corpo a uma instalação. Esta instalação é ativada com uma performance que é o encerramento desta procissão”, explicou o curador.

A pontuar estão os trabalhos de Gonçalo Preto, em exposição no Museu Carlos Machado, que repensa repensar a flora local e a interação entre espécies autóctones e invasoras, partindo do espólio do museu, e o projeto Miguel C. Tavares e José Alberto Gomes, um vídeo que é uma “reapropriação da viagem de Raul Brandão feita na atualidade apresentado dentro de um contentor nas Portas do Mar”, onde mostram a viagem que fizeram a bordo de um cargueiro até aos Açores.

A ideia de agrupar surge no 4.º andar do edifício SolMar, na marginal de Ponta Delgada, onde estão expostas as obras de Mónica de Miranda, Andreia Santana e Diana Vidrascu, “que trabalham sobre a questão da ruína – o próprio espaço é uma ruína – sobre a questão do achado arqueológico e a dimensão do tempo”.

“Deambulação Identitária” é um circuito que pretende “desconstruir o modelo tradicional de exposição – é uma coisa que vai acontecendo em vários meios, em vários tempos, em vários locais”.

Inaugura hoje, às 16:00, com percurso e visita guiada pelas sete exposições, que terá a presença dos artistas e curador, mas pode ser visitado até dia 20 de julho, quando termina o festival.

A nona edição do Walk & Talk traz, para além do circuito de exposições, o circuito de ilha, com instalações e projetos, que acontecem por toda a ilha de São Miguel, o circuito performativo, com música e dança e performance e um programa de residências artísticas.


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