Saúde

Apenas 30% dos hospitais portugueses tem nutricionista


 

Lusa / AO online   Nacional   16 de Nov de 2007, 10:35

Em Portugal, dos 87 hospitais públicos apenas 27 contam com nutricionistas, segundo dados da Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN) a que a Agência Lusa teve acesso.
Segundo a APN, a situação é tanto mais grave se se atender a que em Portugal entre 8 a 15 por cento dos doentes hospitalares se encontram desnutridos e 38 a 47 por cento estão em risco de desnutrição.

A Associação denuncia o atraso de Portugal na adopção de uma resolução da União Europeia de 2003 com o objectivo de combater a desnutrição hospitalar, que descreve pormenorizadamente as medidas a implementar para o controlo deste problema de saúde pública.

"Estamos em Novembro de 2007 e a APN desconhece quaisquer iniciativas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde em conformidade com a resolução em causa", critica a presidente da associação, Alexandra Bento.

Nos oito hospitais dos distritos de Castelo Branco, Portalegre, Évora e Faro não existe um único nutricionista, enquanto em Beja, Guarda, Santarém e Viseu há apenas um profissional em cada distrito.

O distrito do Porto é o que conta com mais técnicos especializados em nutrição - 19 em cinco hospitais -, mas ainda assim, quatro hospitais permanecem sem estes profissionais.

Nos 19 hospitais do distrito de Lisboa, somente duas unidades de saúde têm um nutricionista cada.

"Em Portugal, o uso de ferramentas de rastreio e de avaliação de alterações relacionadas com o estado nutricional é parco e inconsistente, assim como o aconselhamento e o suporte nutricional", diz Alexandra Bento.

A par da obesidade, considerada actualmente uma epidemia, a desnutrição continua a afectar significativamente a população, atingindo 12 por cento das pessoas com doença crónica, 16 a 29 por cento dos residentes em lares e cerca de 40 por cento das pessoas que dão entrada nos Hospitais.

Além disto, o envelhecimento aumenta o risco de desnutrição.

Segundo dados da European Nutrition for Health Alliance, referidos pela APN, a má nutrição na população mais envelhecida é uma situação frequente atingindo 50 por cento dos hospitalizados com mais de 60 anos e 77 por cento dos que têm mais de 80.

Alexandra Bento sublinha que na Dinamarca todos os Hospitais, sem excepção, e na Escócia todos os utentes de serviços de saúde, fazem o rastreio sistemático da desnutrição e o número de Instituições que adoptam esta prática cresce um pouco por toda a Europa.

"No Reino Unido são muitos os Hospitais que adoptaram outras iniciativas para além do rastreio, como a promoção da qualidade da alimentação distribuída nos hospitais, tradicionalmente com má reputação", continua.

Os doentes desnutridos, quando hospitalizados, permanecem durante mais tempo internados e são afectados por mais complicações clínicas, salienta a presidente da APN.

A desnutrição hospitalar custa ao Reino Unido mais do dobro dos custos estimados com a obesidade, acrescenta.

Segundo dados disponibilizados por Teresa Amaral, da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, a desnutrição hospitalar aumenta em 20 por cento os custos do internamento, sendo responsável por um acréscimo de 200 a 1.300 euros por cada internamento.
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