Alemanha nunca esquecerá ajuda dos EUA para queda do Muro de Berlim


 

Lusa/AO Online   Internacional   3 de Nov de 2009, 17:12

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou hoje em Washington que o seu país não "esquecerá nunca" a ajuda dos seus "amigos norte-americanos" para se chegar à queda do Muro de Berlim há 20 anos.

Num discurso solene perante as duas câmaras do Congresso dos Estados Unidos - o Senado e a Câmara de Representantes -, Merkel referiu em particular a acção dos antigos presidentes norte-americanos Ronald Reagan e George Bush pai.

"Eu sei-o, os alemães sabem-no, a que ponto vos estamos reconhecidos, nossos amigos norte-americanos. Não esqueceremos nunca, a título pessoal eu não o esquecerei nunca", disse a chanceler, originária da Alemanha de Leste.

No mesmo discurso, Angela Merkel homenageou as vítimas do Holocausto e das perseguições nazis.

Denunciando "uma ruptura com a civilização", Merkel evocou os seis milhões de vítimas, na maioria judias, assassinadas pelos nazis no poder na Alemanha entre 1933 e 1945.

Referindo o sexagésimo aniversário da adopção da Constituição da Alemanha Federal em 1949, Angela Merkel considerou que o texto fundamental é "uma resposta à catástrofe da Segunda Guerra Mundial" e "ao assassínio de seis milhões de judeus e ao ódio, à destruição e aniquilação que a Alemanha infligiu à Europa e ao resto do mundo".

Merkel lembrou que a data de 09 de Novembro, que marcará o 20.º aniversário da queda do Muro de Berlim, é também o aniversário da "Noite de Cristal" de 1938, quando os nazis atacaram os judeus em toda a Alemanha.

A Noite de Cristal deixou "uma marca indelével" na história alemã, assinalou Merkel.

"Nesse dia, os nazis pilharam e destruiram sinagogas, incendiaram-nas e mataram numerosas vítimas. Foi o início do que se tornou uma ruptura com a civilização", adiantou.

"Não posso estar hoje perante vós sem render homenagem às vítimas deste preciso dia", disse.

Por outro lado, declarou ser "inaceitável" a existência de uma arma atómica nas mãos do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad.

"Uma bomba nuclear nas mãos de um presidente iraniano que nega a existência do Holocausto, ameaça Israel e nega o direito à existência de Israel não é aceitável", afirmou a chanceler.

Em relação ao combate às alterações climáticas, Merkel considerou que, se europeus e norte-americanos derem o exemplo da redução dos gases com efeito de estufa, será possível convencer a China e a Índia a juntarem-se à luta.

Segundo a chanceler, o mundo inteiro terá os olhos postos na Europa e nos Estados Unidos em Dezembro durante a conferência do clima de Copenhaga, que deve estabelecer novos objectivos de redução das emissões daqueles gases para combater o aquecimento do planeta.

O Congresso norte-americano está a discutir um projecto de redução de emissão de gases com efeito de estufa que não deverá estar aprovado antes da conferência de Copenhaga devido à oposição da minoria republicana.


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