Açorianos não bebem leite e sofrem da doença dos ossos


 

Olímpia Granada   Regional   20 de Out de 2007, 20:48

A Osteoporose é a doença óssea metabólica que pode, no mundo ocidental, vir a causar maiores problemas de saúde pública, de acordo com o reumatologista António Vilar, em artigo publicado este ano no "Médicos de Portugal".

Popularmente, é conhecida por "descalcificação dos ossos," e as fracturas que provoca na anca são responsáveis pela mortalidade acrescida nesta doença.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam a nível mundial, só em fracturas da anca, um aumento desde 1990 de mais de um milhão e seiscentos mil casos.

A agência da ONU estima que esse número atingirá o "valor astronómico de mais de seis milhões de fracturas em 2050 se, entretanto, não se encontrarem estratégias preventivas adequadas".

Em Portugal, sabe-se que o risco de uma mulher ter uma fractura por osteoporose ao longo da vida é de 30%, sendo que metade é de fracturas do fémur.

E o reumatologista português adianta que "cerca de metade das mulheres com mais de 50 anos terão uma fractura ao longo da vida devido à osteoporose, (mais frequentemente na coluna)!"

Açores: não há números

"Não há números concretos relativos à osteoporose nos Açores", clarifica o ortopedista Carlos Arruda ao nosso jornal.

O chefe de Serviço de Ortopedia do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, ressalva, contudo, que na sequência de um estudo nos anos 90( ainda que localizado) e da prática clínica diária é possível aferir que a osteoporose é, também, na Região "um problema".

Além da perda de massa óssea resultar do próprio envelhecimento do corpo, pode, no entanto ser travada e prevenida na gravidade.

Como? Por exemplo, explica o especialista, consumindo produtos lácteos (ricos em cálcio) só que, paradoxalmente, afirma Carlos Arruda, numa região produtora de leite os açorianos bebem menos leite e ingerem menos derivados deste produto do que aquilo que seria expectável e mesmo desejável!

Dito de outra maneira, dos nossos ossos, "tal como da nossa conta no banco, não se pode só tirar dinheiro, também é preciso ir depositando alguma coisa para não faltar...", sintetiza.

Factores de risco

Os principais factores de risco apresentados por António Vilar e Carlos Arruda (das duas especialidades que se dedicam ao tratamento da doença, sendo que a reumatologia aprofunda a sua investigação) podem ser sintetizados da seguinte forma: idade (se todos vivermos o tempo suficiente sofreremos de perda de massa óssea), sexo (as mulheres têm à partida menos 30 por cento de massa óssea e são vítimas precoces da doença no período da menopausa, pelo que o estado da doença pode ser detectado 15 anos mais cedo), défice de testosterona nos homens, a hereditariedade, (que condiciona o pico de massa óssea que atingimos no final da adolescência), a alimentação (leite e derivados), alguns medicamentos, a ausência de actividade física, alcoolismo e tabaco.

A marcha é um excelente meio de prevenção e os suplementos de cálcio e vitamina D fazem parte de quase todos os esquemas de tratamento.

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