Vegetarianos desde que nascem adaptam-se de formas diferentes às escolas públicas


 

Lusa/AO online   Nacional   8 de Nov de 2008, 10:17

Duas crianças ovo-lacto-vegetarianas depararam-se com dificuldades diferentes na altura de trocar o jardim-de-infância onde o regime alimentar praticado era o mesmo que em casa por uma escola pública em que os pratos têm peixe e carne.
Olívia, ovo-lacto-vegetariana há vinte anos, foi há nove uma das fundadoras da cooperativa de ensino Vela Verde que os dois filhos frequentaram até à altura de entrarem para a escola primária.

    Em casa as crianças sempre seguiram o regime alimentar da mãe, que “nunca” os obrigou a nada e sempre lhes deu a oportunidade de escolher, explicou a própria à Lusa.

    “Quando foram para a escola pública optei por respeitar a vontade deles, a minha filha [hoje com 12 anos] decidiu que comeria o que lhe dessem, mas o meu filho [com seis] optou por comer na escola o mesmo que em casa”, contou.

    A menina tem um “temperamento mais reservado”, e quis manter-se vegetariana, mas não queria chamar a atenção sobre si mesma na escola por causa da alimentação.

    “Ela deparou-se com situações que até são engraçadas. Quando lhe colocavam peixe no prato não sabia como comê-lo e ia imitando as amigas”, recordou.

    Já o filho decidiu que não queria comer carne nem peixe na escola e não teve problemas em explicar aos novos colegas que “não come os amigos [animais]”.

    Olívia falou com a direcção da escola e propôs que o filho levasse comida de casa que ela própria confeccionaria, mas explicaram-lhe que tal não seria possível.

    Entretanto, “ao abrigo da situação das excepções [doença, alergia, religião], o pediatra passou uma declaração para que ele pudesse ter acesso a uma alimentação alternativa”.

    Desde o início do ano lectivo e até levar a declaração, “foi complicado” e o miúdo almoçava apenas a sopa e os acompanhamentos “porque não conseguia comer os animais de que tanto gosta”.

    De acordo com o Ministério da Educação, a legislação prevê que os estabelecimentos de ensino forneçam dietas próprias a alunos com restrições alimentares medicamente comprovadas, mas o próprio secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, admitiu recentemente à Lusa que algumas escolas não estejam a cumprir.

    "As escolas têm obrigação de providenciar as condições para que a criança ou o jovem tenha essa alimentação [alternativa]. Mas admito que nem todas as escolas no país tenham condições para o fazer", afirmou na altura.

    Nesses casos, acrescentou, o problema deve ser reportado ao Ministério da Educação, para que a tutela possa actuar e resolver o problema.


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